Editora Conrad, uma esfínge

Olá a todos! Sabe, esses dias eu fiquei me perguntando o que vocês acham desse meu parágrafo inicial. Normalmente eu não tenho muito o que escrever aqui e vou enrolando até fazer um parágrafo de tamanho mediano. Gostaria muito que vocês dessem as suas opiniões sobre isso (além de sobre o post em si), se eu devia simplesmente iniciar os posts com a matéria e não com esse parágrafo. Mas indo ao que interessa, hoje o post é sobre a Editora Conrad.

Antes de começar, irei contar uma pequena história para vocês. Se hoje em dia eu leio muito mangas, gastando pelo menos uns 40 reais por mês nisso, houve uma época em que eu tinha um certo preconceito com os quadrinhos nipônicos. Mesmo já gostando de animes, não engolia aquelas HQ’s sem cores e com a leitura invertida. Dois fatos fizeram eu mudar de ideia; primeiro foi a saudosa série brasileira Holy Avenger, que me empolgou e me fez perceber que as cores não são fundamentais. Pouco tempo depois, ainda sem ler nenhum manga original, vi em uma banca de revista enquanto passeava no Shopping a edição #32 de Dragon Ball, da editora Conrad. Com um grande “O que o SBT não mostrou”, fui obrigado a comprar aquela edição, ler metade da edição no sentido errado e acabar viciado em mangas para sempre. Eu contei essa história para mostrar o carinho que eu tinha pela editora Conrad, que durante muito tempo a minha favorita. Mas a verdade é que já são anos que ela não é mais a grande editora que foi.

Fundada em 1993, a editora Conrad começou a ganhar força entre o público infanto-juvenil principalmente com os lançamentos das extintas revistas Herói e Pokeclub. Em 2000 foi a pioneira no lançamento de mangas no modelo japonês (ok, na verdade só o sentido e as cores eram iguais ao lançamentos japoneses) com Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, extra-oficialmente os maiores sucessos do nosso mercado (difícil confirmar esse dado, visto o sigilo com que as editoras tratam seus números, não imagino o porquê).

Se o início foi de grande sucesso, o resto da sua história não foi tão acertada. Dr.Slump, procurando explorar o sucesso do nome de Akira Toriyama no Brasil, não conseguiu o mesmo efeito de Dragon Ball e acabou cancelado. Vagabond que parecia ter uma boa vendagem, teve um conturbado cancelamento da sua edição “standart” para privilegiar a chamada Edição Definitiva. Variando entre lançamentos mais trabalhados, visando as livrarias, como Adolf e Buda, e os lançamentos para as bancas, como Paradise Kiss e One Piece, a editora lançava seus quadrinhos em grande número, sem que isso se refletisse em vendas. Procurando vender os encalhes, colocava agressivas promoções no seu site, o que acabou sendo um tiro no pé, já que muitos fãs deixaram de comprar nas bancas para esperar os descontos.

A situação foi se agravando, mangas como Monster e Sanctuary eram paralisados, contratos como o de One Piece venceram, tudo parecia levar ao fim da editora. Foi quando no início desse ano, depois de diversos boatos sobre a sua possível venda, a Conrad acabou comprada pelo grupo Ibep-Nacional. Todos esperavam que os diversos mangas da editora fossem concluídos, o que infelizmente não aconteceu.

É difícil dizer, como já disse, números do mercado nacional são grande segredos, mas acredito eu que os manhwas tenham um licenciamento bem mais barato que os mangas. Isso poderia explicar o porquê dos sucessivos lançamentos no estilo manga, mas que na verdade são feitos em outros países. Entre eles temos Melodia infernal, Starcraft e a nova trinca de manhwas, Banya, Dangy e Gui.

Preços mais altos que os normais do mercado, títulos sem expressividade e lançados aos montes, falta de conclusão nos seus mangas mais antigos, má distribuição, insistência nas bancas ao invés das livrarias. A verdade é que a editora Conrad continua repetindo todos os erros que levaram-na a quase falência. Não duvido da qualidade dos títulos escolhidos, mas acho difícil que eles tenham vendas fortes para trazer de volta aquela que já foi escolhida como a melhor editora de quadrinhos do Brasil quatro vezes pelo prêmio HQMix.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Conrad_Editora

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u499494.shtml

http://www.jbox.com.br/2009/11/19/editora-conrad-lanca-3-novos-manwas/#more-9557

http://www.hqmix.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=58&Itemid=63

http://www.lojaconrad.com.br/lojas/CONRAD/__Home.cfm

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4 respostas para Editora Conrad, uma esfínge

  1. Reborn! disse:

    Concordo com você. Quando a Conrad estava na “Golden Times”, eu não me interessava por mangás, mas eu tenho a coleção inteira do Cavaleiros do Zodíaco, e eu acho que é uma pena uma editora tão competente seguir esse rumo. Eles realmente tinham tudo para dar certo.

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