Heroman – Primeiras impressões

Olá! Como prometido, finalmente chegou a hora dos novos animes, a temporada de primavera 2010 começou não tem tanto tempo assim, mas já tenho vários animes para comentar, e principalmente, muitos comentários positivos, essa nova temporada começou muito bem! Pois agora é hora de comentar um dos mais aguardados (pelo menos por mim); Heroman.

Infelizmente dentro do fandom de animes e mangas existe uma gigantesca parcelas de puristas (ou cegos?) que acreditam que apenas aquilo de origem japonesa tem valor. Nenhuma outra animação, na verdade, nada que venha de qualquer outro país consegue chegar perto do que A Grande Nação Japonesa (como diria ironicamente a Mais de oito mil) faz. São fãs que fecham os olhos aos diversos problemas do país nipônico e principalmente da sua indústria de animação e histórias em quadrinhos que é sobre o que estamos comentando aqui. Para esse público, deve ser uma experiência bem frustrante ver um dos mais conceituados estúdios do país, o Bones, fazer um anime onde a história original foi feita por um americano. E não um americano qualquer, mas o lendário criador de personagens ícones das comics americanas, o famoso Stan Lee.

Digo isso pois é simplesmente impossível negar a qualidade técnica de Heroman. O estúdio Bones é provavelmente o que há de melhor em animação, mantendo uma padrão de beleza e técnica que dura por vários anos e animes, não sendo diferente em Heroman. Na verdade, afirmo até que Heroman está um passo à frente de outros animes do estúdio como o famoso Fullmetal Alchemist ou Soul Eater. Seus traços são marcantes, mas limpos. Suas cores vivas e bem escolhidas. A animação é detalhada e fluida, seja nos momentos de cotidiano dos personagens, seja nas cenas de combates, que nos dois episódios que vi já deixou a perceber que serão altamente empolgantes!

Mas e a história? Um americano consegue se adaptar ao modo japonês de entretenimento? Sinceramente acho que é justamente ao contrário aqui. A história gira em torno de um adolescente chamado Joey que vive sozinho com sua avó, está sempre por perto do seu professor de ciências, Matthew Denton, é um amigo de um cara chamado Psy, tem uma cheerleader, Lina, que gosta dele e é perseguido pelo irmão dela, Will, por causa disso. Um belo dia, alienígenas  insectóidoes da raça Skrugg recebem uma mensagem do professor Denton que durante anos vem tentando manter contato com vidas inteligentes interplanetárias. O problema é que esses alienígenas não pretendem manter amizade com a terra, mas sim destruí-la e usá-la como fonte de energia. A chegada dos alienígenas causa uma tempestade de raios que acaba dando poderes a um robô concertado por Joey, virando o poderoso Heroman.

Garoto órfão e que na escola não é ninguém, salvar cheerleaders, cientistas meio malucos, alienígenas insectóides,  melhor amigo que está sempre ao lado, super-poderes que surgem sem grandes explicações. Poderia citar uma criação americana para cada um desses itens, mesmo que uns sejam óbvios até demais. Só vou citar De volta para o futuro e Homem-Aranha como exemplos.

A questão aqui não é um americano se adaptar ao modelo japonês, como o próprio Stan Lee já fez com o mangaka Hiroyuki Takai (criador de Shaman King), mas sim de unir os clichês americanos que mesmo que sejam repetitivos, são sempre cativantes, com uma animação de primeira que o Japão consegue fazer muito bem. Não estou dizendo que Heroman é uma obra prima ou uma revolução no mundo dos animes, definitivamente não. Mas dentro da sua proposta de ser um shounen de batalhas exageradas, os dois primeiros episódios que assisti mostraram que acertaram em cheio.

Por isso eu recomendo, deixe o preconceito de lado, desligue o cérebro e aproveite muito do que a união de uma lenda do entretenimento ocidental pode fazer quando encontra grandes do entretenimento oriental.

PS: Além disso, é preciso comentar da abertura e do encerramento, ambos muito bons e bem encaixados com o estilo da série. O primeiro, “Roulette”, é cantado por Tetsuya da famosa banda L’Arc-en-Ciel e o encerramento, “CALLING”, é realizado pela banda FLOW.

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4 respostas para Heroman – Primeiras impressões

  1. Fernando Eduardo disse:

    Assim que terminar de baixar tudo que estou baixando, pretendo baixar Heroman.
    Parece ser interessante e das imagens que postou, o traço é bonito, eu gostei.

  2. Rodrigo disse:

    Esse promete. Ainda não assisti, mas pelo pouco que vi me pareceu um pouco americanizado. Vamos ver…

  3. Qwerty disse:

    Belo review, cara. Achei meio exagerado de sua parte, mas concordo que é bem divertido e atinge de forma fulminante seu público-alvo. E acho que pode ser uma bela introdução aos animes daqui uns anos para um público mais jovem – que obviamente é o alvo -, quando passar na TV aberta brasileira, o que deve acontecer em menos tempo que do imaginamos [lembrando que recentemente a Disney comprou 10% da POW! Entertaiment, uma das produtoras do anime – de propriedade do Stan Lee].

    Dois comentários rápidos:

    1 – Bem, essa parcela que alguns chamam de ‘weeaboo’ – conceito que inclui até mesmo a pessoa achar que seria melhor ter nascido no Japão – é para se lamentar e é um assunto que deveria ser discutido pelos blogs relacionados. Pode ter certeza que o caso #OtakusContraAGlobo envolve isso.

    2 – BONES realmente é um dos melhores estúdios japoneses; mas me pareceu um comentário bem fanboy o de ser O melhor. No fundo, ter dinheiro no caixa para gastar é o fator fundamental [filmes de Pokémon provam isso]; e estúdios pequenos/médios como Kyoto Animation e P.A.WORKS parecem ter ele disponível para seus projetos. Particularmente gosto do apego ao detalhe e a estabilidade do traço do Kyoto Animation em suas produções [apesar das escorregadas recentes, mas mesmo assim bem acima da média].

  4. Denys Fantasma Almeida disse:

    @QWERTY

    Só um ponto, eu não afirmei que o estúdio Bones é O melhor, eu disse que provavelmente ele é o melhor. É diferente, pra afirmar que ele seria O melhor eu teria que fazer diversas comparações com outros estúdios, tanto os que você apontou como outro como a Madhouse ou a Production I.G

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