Fractale – Primeiras impressões

Então, estamos perto de terminar as primeiras impressões sobre os novos animes dessa temporada de inverno, se eu ainda sei contar, faltam apenas três, apesar de que andam falando tanto de Madoka Magica que estou pensando seriamente em começar assisti-lo. Mas pois bem, vamos lá falar sobre Fractale.

A primeira coisa que eu queria falar é; eu sou a única pessoa que não tinha a mínima ideia do que era um fractal?! Sério, depois que saiu Fractale, aparentemente todo mundo já sabia o que era isso. Pra mim elas se chamavam “Imagens estranhas do Windows Media Player”. Enfim, só queria dividir minha ignorância, estou divagando.

Inicialmente mais balado que seu parceiro no bloco Noitamina, Hourou Musuko, acabou sendo renegado ao segundo posto depois das suas estréias por inicialmente não ter conseguido corresponder às expectativas altas que foram criadas em cima da série. Além, claro, da alta qualidade que Hourou Musuko demonstrou ao falar sobre um assunto delicado.

Mas Fractale é ruim? Vejamos.

Clain é um garoto vivendo em uma ilha em um futuro avançado, no mínimo a partir do século XXII, onde a sociedade é comandada pelo chamado “Sistema Fractale”. Neste contexto o sentido de moradia fixa se perdeu, o conceito de família foi radicalmente modificado por um sistema que possibilita às pessoas usarem personificações virtuais próprias, chamadas de “doppels”. Poderíamos dizer que a sociedade atual do anime vive uma utopia socialista tecnológica, o que é um extrato muito interessante a ser explorado.

Clain, diferente da norma da sociedade, gosta de coisas antigas. Mora em uma pequena casa de pedra, procura nas feiras-ambulantes músicas de tempos passados e prefere não ter sua versão virtual. Em um dos seus passeios pelo entorno da ilha acaba testemunhando uma bonita garota sendo perseguida via aéreo por um estranho trio. A garota então se joga de sua aeronave e Clain vai busca-la. Os dois acabam se conhecendo, mas a garota, chamada Phryne, some ao amanhecer, deixando para trás somente um pingente. E é desse pingente que surge outra garota misteriosa, a pequena e energética Nessa.

Fractale, apesar de estar programado para apenas 11 episódios, não se apressa na sua narrativa, com um clima cinematográfico que como apontou bem a Lilian, do Mundo Mazaki, lembra o anime Sora no Woto, do mesmo estúdio A-1 Pictures. Vemos uma bonita exploração da fotografia da ilha com suas paisagens naturais, o uso inteligente das diferentes luzes da manhã, da tarde e da noite, esse um ponto em que o estúdio sempre consegue se sobressair.

Porém, acredito que as comparações com esse infeliz anime deve ficar por aqui, Fractale, apesar da sua lentidão, mostra um crescimente progressivo afim de mostrar não somente um mundo novo a ser explorado pelo espectador, mas também uma trama interessante que deve resultar naquilo que Sora no Woto quase conseguiu, um clímax intrigante.

É importante também ressaltar os quesitos técnicos de Fractale. Apesar da diferença absurda entre as imagens promocionais liberadas antes da estréia do anime e a animação real, ao contrário do escritor original da obra, não concordo que ela esteja tão ruim, e muito menos que esse traço irá afundar o anime. A animação é consistente, bonita, fluida e a fotografia cativa com facilidade, não será por isso que o anime poderá fracassar.

Temos no elenco de atores a competente e experiente Kana Hanazawa, escolhida por mim como melhor seiyuu feminina de 2010. Por outro lado temos a estréia de Minami Tsuda, já começando com um papel de protagonista. Além das duas ainda temos Yuu Kobayashi, fazendo a voz de garoto de Clain e Yuka Iguchi, em um papel secundário, mas com muita graça.

A abertura, apesar de ter uma música bastante agradável, “Harinezumi”, tem uma sequência animada bem peculiar, com aqueles tais fractais durante os 90 segundos. Já o encerramento, é de uma simplicidade muito grande, mas a música, “Down by the Salley Gardens”, casa perfeitamente com o clima e ambientação da história.

“Down by the Salley Gardens” é na verdade um poema publicado em 1889 do poeta William Butler Yeats. Já adaptado para música por muitos intérpretes, aqui ganha sua versão pela belíssima voz da cantora Hitomi Azuma. Estou ansioso pela versão completa da música, já que nem todo poema foi usado na letra do encerramento. Segue o mesmo:

Down by the salley gardens my love and I did meet;
She passed the salley gardens with little snow-white feet.
She bid me take love easy, as the leaves grow on the tree;
But I, being young and foolish, with her did not agree.
In a field by the river my love and I did stand,
And on my leaning shoulder she placed her snow-white hand.
She bid me take life easy, as the grass grows on the weirs;
But I was young and foolish, and now am full of tears.

Um enredo intrigante, uma boa animação, bonitas músicas, personagens divertidos, um ambientação diferente e bem construída, tudo isso apontam para que Fractale seja mais um novo ótimo anime do bloco Noitamina.

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16 respostas para Fractale – Primeiras impressões

  1. Magoba disse:

    Não achei Fractale ruim, mas eu esperava mais. Apesar disso, acho que a série tem grandes chances de crescer e podendo se tornar um ótimo anime dessa temporada, ou não. E não é só você que não sabe o que é um fractal, eu não sabia e nem sei ainda o que é x_x

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  3. Panina Manina disse:

    Era para eu ter publicado minha opinião malhando essa joça já no primeiro episódio, mas achei por bem esperar o segundo para ter mais argumentos, agora estou esperando pelo terceiro para não deixar escapar nada…

    Uma enganação, e quem aprovou isso ser exibido no NoitamA deveria levar uns cascudos.

  4. José disse:

    Ainda falta você falar do Mahou Shoujo do capeta, Madoka
    KKKKKKKKKK
    Brincadeiras a parte, mas ele é um Mahou Shoujo bem dark e super bem produzido, especialmente do ponto de vista visual ;D!

  5. Hidekee disse:

    Eu gostei mto dos primeiros episódios de Fractale, especialmente pela fotografia mostrada e pela história de fundo, que se pensar bem, seria uma simples evolução de internet atual, lembrando que se passa em um futuro mto a frente, a ponto de cartões de memória SD ser artigo raro de antiguidade. Eu senti um estilo que lembra mto obras do Studio Ghibli, especialmente pelas formas dos doppels. Até agora estou gostando muito do anime e está sendo dos meus preferidos da temporada, junto com Gosick e Level E. Tenho fé na trama crescer muito, pois a idéia de misturar política com religião e tecnologia não é tão original mas pelas experiências que tive dão altas possibilidades a serem exploradas XD

    E aquele trio de vilões é mto Equipe Rocket huahuahuahuahuahua…

  6. Ryo disse:

    Achei simplesmente genial esse anime! De longe o visual dele é o que mais me agradou nessa temporada. Me lembrou bastante o visual dos longas-metragens do Ghibli…

    …e o que é melhor: sem muito moe! O que pode desagradar muito a “blogosféra moe soft” brasileira!

  7. Panina Manina disse:

    “Sem muito moe”…

    Error: buffer_overflow

  8. Ryo disse:

    Comparado com o que vocês blogueiros costumam achar “bom”, é sem muito moe mesmo.

    • Denys Fantasma Almeida disse:

      Acho que você está generalizando um pouco as coisas, Ryo. Cada blogueiro teu seus gostos e estilo próprio.

      Gyabbo!

  9. Ryo disse:

    Ah sim, claro.

  10. Toikak disse:

    Comparando o modelo dos personagens com a maioria dos cenários, eu vejo aliens perdidos numa dimensão não muito paralela. O contraste é grande, mas dá para acostumar.
    Personagens pouco carismáticos, mas pelo menos temos uma história com um provável bom futuro unido à uma trilha sonora adequada e agradável.
    Eu esperava uma obra-prima e de filosofia imbatível, espero que se manifeste logo antes que eu morra na expectativa. xD

  11. Estou gostando de Fractale, mas por enquanto estou definindo-o assim, espero poder melhorar essa definição ao ver o terceiro episódio:

    “Um ótimo animes sobre alguma coisa que não sei e que mostra muito bem… sei lá”. Mas ainda assim estou gostando, medalha de bronze por enquanto =)

  12. Gabi Kato disse:

    Bom, não é sobre o anime…

    Mas, aproveitando o gancho sobre “fractais”, uma interessante é o estudo sobre a complexidade dos padrões fractais na obra de Pollock (http://discovermagazine.com/2001/nov/featpollock), que se tornam mais complexas ao longo de sua carreira. =)

  13. Gabi Kato disse:

    troca o complexas por “elaboradas”, pra não deixar a repetição feia, rs.

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