Ao no Exorcist – Primeiras impressões

Ao no Exorcist é uma adaptação feita pelo estúdio A-1 Pictures em conjunto com a Aniplex de um manga originalmente lançado na antologia Jump Square desde abril de 2009 da autora Kazue Kato, contando atualmente com seis volumes encadernados.

Rin Okumura é um adolescente de apenas 15 anos que, como muitos outros da sua idade, não gosta de estudar. Morando em uma igreja junto do seu “pai” Shirou Fujimoto, o padre local, e seu irmão Yukio Okumura, o garoto está sempre se envolvendo em problemas, arrumando facilmente uma briga e por esses motivos não conseguindo se manter em nenhum emprego de meio-período.

Um dia Rin encontra com uma garota que está correndo atrás do seu cachecol, quando percebe que o que está levando o objeto é uma estranha criatura parecida com um macaco bizarro. É a partir desse momento que ele começa a ver outras estranhas criaturas que aparentemente ninguém mais consegue enxergar. Após se envolver em outra briga, a ele é revelado por seu “pai” que na verdade Rin não é um humano, mas sim o filho do maior dos demônios, Satã.

De todos os animes que estreiaram nesta nova temporada, e faltam poucos para eu começar a acompanhar, Ao no Exorcist foi a abertura mais empolgante, passando AnoHana (que irei comentar essa semana ainda, mas é ótimo), ainda que sejam animes totalmente diferentes em suas propostas.

No entanto, Exorcist não é nenhum primor de originalidade, longe disso. O adolescente problemático que descobre ser filho de um poderoso demônio lembra facilmente Yusuke Urameshi, do anime Yuyu Hakusho. É claro que garotos descobrindo suas reais naturezas não são nenhuma novidade, na verdade é um tema básico da literatura infanto-juvenil. O clima de amistosidade misturado com cenas agudas de ação e efeitos demoníacos nos remete ao Chrono Crusade, com seu demônio indo contra a “ordem natural das coisas”.

Portanto, a questão aqui não é um roteiro original, mas sim algo extremamente bem executado.

Com a sua cena inicial onde diversos sacerdotes são mortos enquanto entoam cânticos buscando proteger Assiah, o mundo humano, o diretor Tensai Okamura (Darker than Black) cria uma ansiedade em quem assiste, para em sequência diminuí-la consideravelmente mostrando a vida diário de Rin. Esse efeito, já muito usado em outros animes, faz com que o espectador fique aguardando pelo momento em que as coisas irão ser mexidas novamente, que, obviamente, só acontece no final do episódio, fisgando as pessoas para ver o próximo episódio.

Sem ter que se preocupar com a animação, já que o estúdio A-1 Pictures mantém seu característico traço firme e sua boa animação, nos resta se concentrar na história e na evolução narrativa muito bem construída neste primeiro episódio. E assim, mesmo com o curto espaço de tempo, consegue-se facilmente se afeiçoar aos personagens que surgem, não somente com o protagonista cool, mas com o seu irmão responsável, seu pai brincalhão, mas poderoso e até mesmo com os coadjuvantes que não apresentam muita coisa.

Em 24 minutos Ao no Exorcist consegue contar de forma consistente muita coisa, e isso para um anime baseado em manga mensal com apenas seis volumes, é extremamente positivo.

Mesclando o enredo central com passagens da vida cotidiano do adolescente, ação/suspensa com comédia, este anime começa de maneira muito promissora e tem tudo para ganhar o público brasileiro fã de animes. Não fosse os poucos volumes, seria uma ótima pedida para o mercado brasileiro de mangas.

Por último, outro ponto que merece destaque aqui é a parte musical do anime. Feita por Hiroyuki Sawano, que além de ter trabalhado em animes como Sengoku Basara, também foi responsável por doramas como Taiyou no Uta e Binbou Danshi. Aqui seu ótimo trabalho não é diferente, sempre com a música certa, na hora certa.

Ao no Exorcist conseguiu me empolgar como poucos shounen conseguiam recentemente. Com seu primeiro episódio muito qualificado e, arriscaria, sem defeitos, chama atenção em uma temporada com fortes concorrentes. É torcer para seguir o mesmo ritmo!

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20 respostas para Ao no Exorcist – Primeiras impressões

  1. Douglas MCT disse:

    Apesar de gêmeos, Yukio é o irmão mais novo, não mais velho dos Okumura, isso é citado tanto no anime quanto no mangá.

    Concordo com a qualidade excelente do anime e também não me incomodei com os pequenos fillers, que trabalham melhor seu cotidiano, pra que houvesse aquele gancho no final pro 2º ep.

    Mas discordo em relação a Yusuke Urameshi. Notei em muitos que falam de Ao no Exorcist, uma limitação nesse sentido, pois todos vem dizendo o mesmo. AoE e YuYu Hakushô tem muito pouco ou quase nada em comum.

    Kazuo tem influência clara de Mike Mignola na concepção de Rin e até de alguns demônios. Elementos da parte evil do protagonista vieram de Hellboy (inclusive o fato de ser filho de uma humano com um demônio).
    E se tem algo que pode ser relacionado com clareza na série, é Harry Potter, pelo sistema de ensino, professores suspeitos, uma escola fantástica, grupos de alunos e tramas que se desenvolvem dentro daquele cenário e levam para situações fora do comum.

    Aluno que não gosta de estudar e é briguento? Já vi inúmeros animes assim e não é porque Rin vê e luta contra demônios que ele se parece com Yusuke. Eles não tem nada em comum. Ichigo sim é uma cópia (mal feita) de Urameshi.

    “Não fosse os poucos volumes, seria uma ótima pedida para o mercado brasileiro de mangas.” – mais uma vez discordo. Pelo contrário, se a série é menor, mais chances de publicação ela terá no Brasil e em todo o planeta. É mais viável para qualquer editora, justamente por ter começo, meio e fim bem definido.

    Ainda sim, boa resenha.
    Abs,

    • Denys Fantasma Almeida disse:

      @Douglas MCT

      Olá Douglas,

      Então, erro meu sobre o irmão dele mesmo, lembro que é citado que ele é o mais novo, irei corrigir.

      Sobre a semelhança com o Yusuke e comparações com Yuyu Hakusho, só queria destacar que é uma análise feita em cima das primeiras impressões do anime, mais precisamente do primeiro episódio. Já vi muita gente falando sobre ser semelhante a Harry Potter na verdade, mas esse primeiro contato com o anime não permite esse tipo de comparação, sendo mais próxima ao Yuyu Hakusho, ainda que não seja o único. Particularmente, e lembrando novamente que estou me referindo apenas ao primeiro episódio do anime (não li o manga), não lembraria de Hellboy, apesar de entender o porquê da comparação.

      Sobre a venda dos mangas aqui, o problema é que não tem um fim ainda, e sendo uma série mensal, deve demorar para acumular mais volumes, acabaria como Highschool of the Dead, veio e rapidamente encostou no Japão e parou. Acredito que virá logo, mas a ideia de um manga vir tão cedo para logo ficar parado esperando os japoneses não me agrada.

      Obrigado pelo comentário,

      Gyabbo!

  2. Power Otaku ^^x disse:

    Eu li caps de Ao no Exorcist e nem foi de Yu Yu Hakusho que lembrei na época, mas sim Constatine (aquele dos Quadrinhos ou do filme com Keanu Reeves). Não acho que é influência da autora, mas prova que mesmo uma série que não é Original (convenhamos, o poço de Idéias deu uma secada) pode ser uma opção muito boa nessa temporada (Não é C? XP), SE fizerem direito.

    Bjs Gyabbo XP

  3. Douglas MCT disse:

    Sim, entendi seus pontos, Gyabbo, eu tinha entendido que você se focou unicamente no primeiro episódio – afinal, era sobre isso post :)
    Eu apenas expressei mais amplamente o conceito e quis mostrar meu ponto de vista.

    Mas, de cara, a própria “transformação” de Rin ao final desse ep., já tem elementos à lá Hellboy, como o ‘chifre’ e o ‘rabo’. E isso é só o começo.

    Sobre a publicação nacional, agora que se explicou melhor, compreendi e concordo. Nessa situação, JBC e Panini, seguramente, esperariam um pouco mais pela publicação do título por aqui – e isso também não é problema. Até que esse dia chegue, os scans vão ter construído um castelo de fãs bem estruturado, que será o público consumidor da obra quando se oficializar no país. Tudo ao seu tempo.

    Não acho também, como o P.Otaku acima, que foi “falta de criatividade” da autora. Tirando o fato de ser filho do demo (isso sim, batidão), todo o resto é bem executado. Hoje em dia (eu digo, de uns 50 anos pra cá), não existe algo realmente “100% original” e isso não é um problema.

    Como sempre falo: não deve-se evitar os clichês, mas usá-los a favor da trama. E Kazuo soube, muito bem, aliás.
    Torcendo pelo sucesso do anime e a evolução do mangá!

    Abs,

  4. Monad disse:

    Eu gostei do episódio, apesar da trama cliché que tem, foi bem executada e a banda sonora foi muito agrádavel também (excepto o tema de boys band no ED). Espero que animação seja consistente (depois de Fractale não confio muito em A1-Pictures xD). Continuarei a ver, até porque gostei dos irmãos e do padre que é brutal.

  5. Ighor H. disse:

    Gostei muito do seu texto que me fez começar a ver nesse exato momento Ao no Exorcist, apesar de achar que ao longo do anime bons e velhos elementos clichês vão aparecendo tornando um shounen de lutas.

    Inclusive gostei muito do blog que não conhecia e a um bom tempo procurava algo assim, que fala-se de animes de um forma geral sem favorecer algum gênero.

    Obs: Se tiver outro bom blog a me indicar ficaria grato!

  6. Hidekee disse:

    Vi depois de meia dúzia de amigos me recomendar mas sinceramente, não me empolgou em nada esse anime =/

    Terminei com a sensação de que estou vendo um anime que é a mistura de outros 3: Bleach+Reborn+D.Gray-man!

    Considerando que dos 3 acima, só Bleach gostei em tempos remotos e depois dropei com gosto, esse anime não me empolga nada mesmo. O personagem é mto “lugar comum”, ser filho de Satã nem é novidade, ter fogo na cabeça tb não e ser exorcista tb não é… O anime foi desenvolvido com um clichê atrás do outro e de forma previsível demais e meio forçado, como o Astaroth aparecendo.

    Denys, embora vc tenha citado YYH e Yusuke, acho que lembra mais mesmo Bleach (que embora tivesse similaridades com YYH não considero cópia do mesmo, apenas uma obra que se perdeu no dinheiro que ganhou e virou cópia de DBZ mal feita), pq o início lembra bem o início de Bleach e o “pai” do Rin lembra o pai do Ichigo, mas que não esconde a natureza real desta vez. Depois vem uma mistura de Reborn e D.Gray-man (este bem mais pelo preview) que não agradou nada mesmo pelo sentimento de “eu já vi esse filme e sei como acaba mal”…

    O anime é feito com certo capricho, gostei dos dubladores (menos o Yukio que pareceu-me forçado). Aliás, lembrando do Yukio, dá a entender para mim de cara que ele era quem controlava a manifestação do Rin. Não leio o mangá, mas se for ISSO MESMO é bem pior para o anime…

    Melhor parte para mim foi a ED, grupo de Kpop que desconhecia mas uma amiga que curte é fã e me contou que era kpop hahahahaha…

  7. anachan disse:

    Achei o primeiro episódio muito divertido!Realmente a estética geral me lembrou D. Gray Man, e sobre plot geral nem comento, bem básico mesmo.
    Mas pra quem não se empolgou, com seus motivos bem compreensíveis, recomendo assistir mais um pouquinho, ao menos até aparecer melhor a estrutura da escola e dos personagens futuros, pois pelo que sondei do mangá, é nisso que se diferencia nesse aspecto de outras obras shonen com adolescentes encapetados.
    Estou pessoalmente ansiosa pelo diretor totalmente suspeito da escola, que já deve aparecer no próximo!

  8. Hidekee disse:

    Sim, devo ver até o episódio 2 ou quem sabe o 3 para ter uma noção melhor, mas a primeira impressão não agradou mto, confesso mesmo. Com abordagem parecida em termos, curti mto mais Enma-kun por exemplo =/

  9. Roberta disse:

    Gostei muito do episódio, tudo fluiu naturalmente. Curiosamente, muita gente não curtiu muito a ED com a abertura com uma boys band no vocal hehehe, eu achei bem bacana e combinou bem com para o clima de fechamento. Também não vejo esse lado de YuYu Hakusho no anime não…quer dizer, tem umas similaridades tanto com o anime quanto o personagem do Yosuke, mas isso já é algo presente em muitos outros animes que seguem o mesmo gênero e a semelhança é bem pequena. Mesma coisa que comparar personagens tsunderes hehehe. Muito bom o post, tomara que Ao no Exorcist continue bom assim e com a trama bem amarrada e coesa.

  10. Raoni disse:

    Não diria que a originalidade se encontra no que veremos (meio humano, lutando contra demonios, espadas, poderes mirabolantes – afinal ele é filho de Satã), mas sim da forma como ela será contada, e após ter lido os 6 volumes posso garantir que é ótima!
    Tem tudo mesmo para ganhar um público em massa, e para os wannabe “descolados” que só assistem o que ninguém conhece, acho bom passar longe desse anime/mangá.
    O ponto alto dessa série no entanto é o cuidado e a dedicação com a arte, principalmente no mangá. Uma qualidade que pouco vejo ultimamente.
    Enfim, estarei acompanhando fielmente.
    Basicamente meu ponto de vista.

  11. Carol disse:

    Acabei de ver o primeiro episódio e adorei….é engraçado, com cenas empolgantes e personagens cativantes…( o q é aquele padre?? adorei ele!XD )
    pretendo acompanhar esse anime ate o fim!

  12. Jilberto disse:

    Anime para criança e não sou de assistir isso, pois a minha idade não permite. (homem, sabe, chega de coisas de criancice) Fico impressionado que o pessoal fica decorando até nomes dos personagens de anime. (e sem flar que tem uma turma velha aqui)

    Em questão da abertura, também achei muito infantil. O anime parece uma mistura de Motoqueiro Fantasma com a série Supernatural. Uma gama de clichês.

  13. Tiago disse:

    Muito clichê, lembra diversos animês já lançados por aí… mas é bom, diverte e não cansa. Gostei e muito dele e recomendo a todos que gosta de shonen.

  14. Rocky Balboa disse:

    O Anime me agradou muito , é muito legal pena que o velhinho morre no segundo episódio ,T.T , mais ainda pretendo assistir o anime até o fim .

  15. Ikari387 disse:

    Apesar da já escancarada fórmula comum, clichê e tals, eu jurava que o anime seria um pouco diferente.

    Na verdade, achei excelente os dois primeiros episódios… até o momento que aparece uma “escola” de exorcistas, lá no fim do 2nd epi. Juro, broxei legal… ¬¬

    Esperava uma coisa mais “rebelde”, mais solta… sei lá, essa coisa de “escolinha” me deixa com uma impressão não muito boa. Ainda vou assistir mais alguns epis, mas se ficar massante (tipo Naruto, onde aparece um inimigo e vão alguns exorcistas e fim, até que apareça outro demonio e aí se manda outro grupo e etc) dropo na hora.

    Excelente resenha! Tinha dado RT no twitter, mas acabei esquecendo de comentar por aqui!


    5º parágrafo do texto: Faltou “tem”, “possui” ou coisa do tipo…

    Abs!

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  17. Bibi-Sama disse:

    Olha, quando eu vi a imagem do Ao no Exorcist pela primeira vez, eu ja percebi que seria cool.

    E quando vi o primeiro ep, eu não me arrependi.

    Eu confesso que eu me levo muito pela “modinha”, mas sei diferendiar anime bom de anime ruim. E a animção em si do Ao no Exorcist que me chamou mais atenção.

    Eu sou mais uma que não acha que esse anime lembre Yuyu hakusho, tirando o fato de rin ser filha de humano com demonio, isso não me lembrou (yuyu hakusho é o primeiro anime que eu vi e ainda revejo, e considero o melhor anime que ja vi, isso eu acho que me torna um tiquinho qualificada pra dizer se outro anime é ou não uma cópia mal feita).

    Olha eu espero e muito desse anime, e espero que não se torne uma “modinha” inutil como considero alguns animes que muitos assistem.

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