Lodoss War – A dama de Pharis – Editora Panini

Há pouco mais de três anos chegava às bancas do país a primeira edição de Lodoss War – A dama de Pharis, mais um dos títulos da franquia Lodoss War que a Panini trazia após publicar A Bruxa Cinzenta (3 volumes); A Lenda do Cavaleiro (6 volumes) e A história de Deedlit (2 volumes). A série veio com um tratamento poucas vezes visto em um manga de banca no Brasil: Papel offset, capa cartonada com orelhas de proteção, 300 páginas e um formato maior (15 X 21 Cm), tudo pelo bom preço de R$15.90. Na época cheguei a afirmar no fórum da Anime Pró que essa seria o melhor acabamento gráfico de um manga do mercado nacional depois de Nausicaä.

Mas o que era uma grande satisfação e aquilo que até hoje espero que venha a se tornar corriqueiro por aqui, acabou se transformando em decepção quando a segunda edição não foi lançada na data prevista. Com periodicidade na época bimestral, terminaria já na sua segunda edição a ser lançada em Julho de 2008. Só agora em Agosto de 2011, depois de todos já terem perdido as esperanças por esse lançamento, é que pudemos ler a conclusão dessa odisséia.

Quando o governante de Skard, um pequeno baronato das terras de Moss, quebra um feitiço e libera assim uma criatura das trevas quase tão poderosa quanto um deus, a ilha-continente de Lodoss é infestada pelos mais diversos demônios, levando terror aos mais diversos reinos. Durante uma viagem para entender melhor o nível dos ataques demoníacos, Flaus, a comandante dos monges guerreiros de Pharis – deus da bondade, encontra com Beld, um guerreiro mercenário e Wart, um grande feiticeiro. A jovem monja contrata dos serviços de ambos para auxilia-la, percebendo que a situação necessitaria de aliados poderosos como os dois. Assim, eles seguem por Lodoss com o propósito de derrotar a fonte de todo essa mal. Muitos outros heróis valorosos se unem a eles, com Fhan, o paladino de Valis e Fleve, o último rei dos anões, formando aqueles que seriam conhecidos posteriormente como “Os seis heróis”.

A dama de Pharis segue um esquema de enredo bem familiar para aqueles que já jogaram RPG medieval: Um grupo de heróis que não se conhecem se reúnem para resolver alguma missão, encadeando em seguida outra até um plano maior. Por mais que a meta da história seja o embate com o grande demônio liberto, são apresentadas mini-aventuras que no final se interligam com o objetivo principal, além de possibilitarem o desenvolvimento dos personagens enquanto um grupo unido, aumentando a carga épica do manga. Esse envolvimento com os personagens e suas histórias particulares faz com que o leitor crie um empatia por eles, maximizando o resultado da batalha final, dando-se a verdadeira sensação de que se presenciou uma lenda sendo contada.

Diferente dos outros títulos da franquia, A dama de Pharis busca uma aproximação bem maior com a fantasia medieval ocidental. Tanto que o manga foi escrito para ser lido da esquerda para direita, diferenta da maioria dos quadrinhos japoneses. Não só isso, o próprio traço de Akihiro Yamada possui um caráter mais realista, lembrando obras européias.

Esse traço rabiscado e detalhista, se une ao roteiro quase poético em algumas partes para criar uma atmosfera semelhante a um conto de um bardo. Ryo Mizuno mostra o potencial que já demonstrara nos outros mangas da franquia em um nível mais elevado. Cada acontecimento possui sua importância para o desenvolvimento da história ou mesmo para a cronologia geral, visto que muitas coisas já lidas nos outros títulos podem ser entendidas em sua origem aqui.

 Comentei no início desse post da qualidade gráfica dada pela editora Panini em 2008 ao primeiro volume, mas o que mudou três anos depois. Como você pode ver no vídeo acima, a diferença mais óbvia é o material utilizada na capa. Não temos mais a capa cartonada com suas orelhas de proteção, no segundo volume foi usado o mesmo material dos mangas “normais” da editora. Outra mudança, mas essa bem pequena e até para melhor, foi o conserto das bordas das páginas que na primeira edição possuia a borda superior cortada na metade. Fora isso, o produto é o igual; mesmas dimensões e papel; inclusive os R$15.90. A tradução é boa e o texto flui muito bem, salvo alguns erros de revisão como um “visinho” no primeiro volume.

É óbvio que houve uma perda de qualidade ao se trocar o material das capas, mas ainda assim A dama de Pharis vol. II é muito melhor que todos os mangas que temos nas bancas atualmente, inclusive que os do selo Graphic Novel da editora JBC.

Seja pelo traço belíssimo, pela história épica e empolgante ou pela qualidade gráfica que se tem em mãos, Lodoss War – A dama de Pharis é mais do que indicado, principalmente para os fãs de fantasia medieval. Fico muito feliz da Panini ter retornado com esse título, esperando que esse seja um mercado para a vinda de outros títulos parados ou novos com qualidade gráfica semelhantes!

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7 respostas para Lodoss War – A dama de Pharis – Editora Panini

  1. Ikari387 disse:

    Sempre fui um fã “reprimido” da franquia LW. Quando mais novo, ficava “viajando” nas matérias da Ultra Jovem pensando em como seria bom poder ter em mãos… hehehe

    Assim que possível será parte da minha coleção! ^^ Infelizmente, durante a Bienal, deixei passar aquele livro que deu origem ao mangá Socrates in Love… arrependo-me até hoje… -___-

    Excelente texto, a propósito!
    E antes tarde do que nunca, né? O importante é que o vídeo saiu e tá aí disponível pra todo mundo ver! xD

  2. Rozeex disse:

    Como seria bom ter vários mangás nesse molde.

  3. Mauricio disse:

    Sou bem pessimista quanto à possibilidade da vinda de novos títulos como esse.
    A enxurrada de bobagens de qualidade duvidosa nas nossas bancas é o sinal mais claro do tipo de mercado que as editoras nacionais parecem querer atingir.
    Nem mangas adultos nós temos mais. Só vampirinhas fofinhas e bichinhos de pelúcia falantes.
    O que me salva é a importação.

  4. Como eu esperei! Como eu esperei!

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