Koi Suru Boukun

Atenção: Este post contém imagens de cunho sexual que podem não ser recomendadas para menores de 18 anos. Não me responsabilizo pelo acesso ao post tendo avido isto.

Muito se fala da progressiva forma como a indústria de anime vem se voltando cada vez mais agressivamente para um nicho de fãs que apesar de fiéis, prima muito mais por personagens idealizados ao invés de histórias bem desenvolvidas. Os chamados aqui no ocidente como “Otaku hardcore” são quase um sinônimo de câncer para muitos, levando boa parte do financiamento para as produções moe.

Mas outro nicho de fãs tãos fiéis quanto homens adultos atrás de garotinhas são as fujoshi, mulheres fãs de anime e manga onde procuram por histórias que contenham um envolvimento homossexual entre os personagens – Boys Love -, ou pelo menos que possa gerar nas materiais não oficiais tais relações (vide o grande sucesso de Tiger & Bunny com esse público).

É perceptível, porém, que por mais que os homens ainda dominem fartamente as atenções dos produtores da área, existe um crescimento cada vez maior para esse público tão negligenciado durante os anos 2000. Pessoalmente nunca tive curiosidade de ver um anime BL ou Yaoi, como é mais comumente conhecido, mas ao procurar algo para comentar hoje no Gyabbo! encontrei um OVA curto que poderia me dar a chance de conhecer mais esse lado do fandom de animes e mangas.

Koi Suru Boukun – traduzido no ocidente para algo como “O tirano se apaixona” – é um anime feito direto para vídeo, como é a maioria dos materiais BL – ainda que séries como Sekai-ichi Hatsukoi e Junjo Romantica tenham feito sucesso, mesmo entre o público fora do seu nicho -, animado pelo estúdio PrimeTime (pouquíssimas produções, todas também BL) em 2010.

Na história temos o relacionamento complicado entre um estudante universitário, Tetsuhiro Morinaga, e seu senpai Souichi Tatsumi, um mestrando. Apesar da boa amizade entre os dois que convivem muito no mesmo laboratório, existe uma tensão permanente, pois Morinaga confessou sua paixão por Tatsumi que a rechaçou completamente, deixando claro sua aversão à homossexuais. Sim, um dos protagonistas deste BL é homofóbico.

Sendo algo curto, não há muito tempo para se desenvolver e Boukun precisa entregar às fãs aquilo que elas primeiro procuram – a relação sexual em si entre dois personagens masculinos. Morinaga, após desabafar suas mágoas com um amigo acerca da dificuldade que tem com seus sentimentos e a tristeza por achar que seu senpai nunca irá mudar, recebe uma bebida altamente afrodisíaca, recusando a ideia de usá-la em um primeiro momento. É óbvio que uma coincidência qualquer faria Tatsumi beber o líquido, o que lhe deixa não somente completamente excitado, mas também com o corpo fragilizado, não conseguindo se mover direito.

Koi suru Boukun, até esse momento, crescia como uma bom OVA. Conseguia com certa habilidade equilibrar um romance complicado com um enredo bem embasado – sim, achei interessante termos um protagonista apaixonado por alguém que em teoria não teria como confirmar seus sentimentos, principalmente se tratanto de alguém homofóbico – com um homor que não se destaca, mas agrada o espectador. Mas não há como não se sentir incomodado ao ver uma cena de sexo onde alguém é drogado, mesmo que por acaso, e a pessoa que ama utiliza-se desse momento para transar com o mesmo, ainda que este repita inúmeras vezes que não quer que isso aconteça.

“Ele diz que não quer, mas quer!”, alguém poderia dizer. Não, me desculpem, mas esse é o pior argumento do mundo e infelizmente serve pra embasar o pensamento de muitas pessoas que acreditam que um “não” de uma mulher é apenas charminho, permitindo o que na verdade em momento algum deixo de ser um estupro.

Se retirássemos essa infeliz forma com que o autor usou – e sim, eu sei que isso é um tema comum em BL, mas isso não o deixa menos nocivo – para dirigir seu personagem não assumido para o ato em sexual em si, teríamos aqui um bom OVA de romance. Mas por mais que o resto funciona bem, é difícil relevar algo assim. Da mesma forma que eu condeno moralmente animes lolicon, não poderia ser diferente com um anime onde alguém estupra outra pessoa debilitada por uso de substâncias.

Mamilos são polêmicos!

Para o meu primeiro BL, Koi Suru Boukun me deixou uma grande má impressão, mas confirmou uma certeza minha: Não importa as pessoas que estão se relacionando em uma história; homens com mulheres, homens com homens, mulheres com mulheres; mas sim a forma como esse relacionamento se desenvolve. Ao banalizar algo tão grave, não poderia considerar Boukun um bom anime.

É fã ou quer conhecer melhor o BL? Recomendo o blog parceiro Blyme-Yaoi. Afinal, por mais que este BL que assisti tenha essa tema tão complicado e que eu condeno, não quer dizer que todos são assim, não vamos generalizar.

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14 respostas para Koi Suru Boukun

  1. Gostei muito do post, concordo com praticamente tudo!
    O casal (se é que pode ser chamado de casal) é extremamente irritante, e o Tatsumi é insuportável… E a cena de sexo dos dois… Bem… Também não gosto dessa história de “ele diz que não quer, mas no fundo quer” (apesar dela funcionar bem em algumas obras – quando é bem trabalhada e a personagem tem um motivo claro pra falar não, mas a gente sabe que ela quer), e a cena em si ficou estranhíssima. Pela personalidade, eu imaginava que o Tatsumi seria o seme… XD

  2. Suna disse:

    Bom, não gosto de yaoi (Não, não é o relacionamento homossexual o que me incomoda). Só que o post toca num ponto que não se restringe às obras desse gênero, mas que também marca presença em hentais e um certo tipo shoujo.
    Estupro virou um fetiche, mais um dentre tantas bizarrices encontradas em animes e mangás de cunho sexual. Infelizmente, porque existe público pra isso. Devem ser raras as histórias que tratam o estupro como o crime que ele é, ao invés de uma distorcida forma de entretenimento. Não me entra na cabeça que alguém veja uma cena dessas e ache lindo, kawaii desu ne, que veja isso como demonstração de amor. xP

  3. Tanko disse:

    Também, Gyabbo, se queria material hardcore poderia ver logo Ai no Kusabi. *risos*
    Concordo plenamente com as críticas apresentadas na sua resenha, e agradeço sua menção ao Blyme.

    A questão do estupro “consentido” é bastante presente em BL, e como o/a Suna disse, presente em MUITO material erótico japonês e em alguns nichos do material erótico ocidental. Se me perguntarem se eu como desenhista faria um trabalho com este tipo de conteúdo, possivelmente não, eu evitaria estes temas, pois acho que existem coisas mais bacanas para abordar.

    Embora não possa me considerar feminista, acho que compartilho plenamente este aspecto do feminismo: não acho que alguém MEREÇA ser estuprado por estar bêbado ou drogado ou desacordado, acho que é o mesmo crime de estupro que com a pessoa consciente. Se a pessoa embebedou ou drogou a vítima, ainda tem agravante. Não sou do time do “bem feito”, peço SEMPRE para minhas amigas que gostam de encher a cara para que estejam sempre acompanhadas e que nunca transem bêbadas. (além do risco de estupro por outros que não foram convidados por ela para a transa, existem outros riscos, como esquecer a camisinha e sofrer lesões físicas.)

    Só que como fã, eu consigo plenamente desligar a chave na minha cabeça e curtir Koi Suru Boukun, por entender que é meramente uma fantasia (aliás, por ser com dois homens, o truque funciona como deveria, eu não me coloco na situação nem como um nem como outro). Não estou dizendo que quem é contra estes elementos nos mangás confunda fantasia com realidade. Mas eu não virei estupradora, nem submissa e nem machista por causa disso. Claro, tudo isso é questionável e cada caso é um caso, mas tenho certeza que muit@s fãs compartilham da mesma ótica. Ou assim espero.

    É isso, e se permite uma correção, a grafia é Boukun não bouken. ^^

  4. Tanko disse:

    Relendo o meu texto, ele está horrível, mas espero que ao menos esteja entendível. *pessoa dependente de edição*. Ah, e é uma autora, a Hinako Takanaga. Pronto, juro que desta vez é isso.

  5. Sarah disse:

    Texto excelente. Muito mais honesto e necessário que qualquer site sobre BL faria.

    A Tanko já falou de duas coisas que queria comentar: a cultura do estupro consentido no erotismo japonês, e o ato de ignorar o que aconteceu e continuar lendo.

    É mais comum do que eu gostaria em cenas de sexo em mangá/anime (seja BL, shoujo, hentai etc) uma pessoa “convencer” a outra a transar. Geralmente um quer e vai se chegando n@ parceir@ que protesta no início, mas acaba cedendo. O níveis de insistência/resistência diferem, mas costuma ser assim. Mas não é bem melhor quando os dois querem desde o início?

    Sobre fingir que o estupro não aconteceu, bem… Minha história com Koisuru Boukun é assim: esse é um dos BLs atuais mais famosos, então esperava algo no mínimo bom, e na verdade tudo ia muito bem até essa cena. Os personagens estavam se desenvolvendo bem, a história, tudo, mas o Tatsumi TINHA que beber o afrodisíaco, né? Digo, o problema não foi ele beber, claro, até porque daria muito bem pra história ter tomado um rumo muito diferente e bem mais interessante que o estupro. O problema é a falta de respeito do Morinaga, a necessidade de ter logo uma cena de sexo, a autora não entender o próprio personagem. Porque qualquer imbecil sabe que apesar dele protestar e ser todo tsundere, o senpai gosta sim do Morinaga, MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE ELE ESTÁ PRONTO PRA UMA RELAÇÃO SEXUAL! Qualquer um vê que o melhor caminho seria que o Morigana sentasse e conversasse com o Tatsumi sobre a situação deles quantas vezes fosse necessário, mas não, é mais conveniente ficar repetindo “HURR DURR MAS EU TE AMO” e forçá-lo a transar, né?
    Bem, isso tirou completamente minha vontade de ler, mas eu continuei porque, inacreditavelmente, o Morinaga se arrependeu do que fez e foi embora – trancou a faculdade, saiu da cidade, estava decidido a sair da vida do Tatsumi – e eu queria ver aonde isso ia. E o Tatsumi ficou desesperado, porque mesmo que o Morinaga tenha feito essa babaquice, ele ainda era importante pro senpai. Então os dois se encontram, Tatsumi fala que não era pra tanto, era um exagero (preciso mesmo dizer algo sobre isso?), e o que o Morinaga faz? Claro que não faz a coisa mais sensata, que seria – de novo – SENTAR E CONVERSAR. Ele diz que MALS AE, MAS NÃO DÁ PRA ME SEGURAR, MIMIMIMI, e o idiota do senpai aceita a CHANTAGEM do Morinaga de transar com ele em troca de tê-lo por perto. PUTS.
    Mas eu continuei a ler, porque não é possível que em algum momento não fosse abordado o quão canalha o Morinaga é, mas li cinco maldito volumes e nada. Mas de alguma forma eu aprendi a gostar da série, realmente não sei como, e passei a ignorar o início da história. Isso é bem fácil de fazer, na verdade… Mas melhor encarar os fatos, né?
    E muita gente diz que não é porque gosta dessa ou de outra série que apoia o estupro na vida real ou coisas do tipo, e eu entendo. Mas querer acreditar que alguém se apaixona depois da pessoa forçá-lo a transar várias vezes… Isso não é amor, amigo, isso é síndrome de estocolmo.

    E como você disse, deram muito mais importância à cena de sexo que ao resto. Não vi o OVA, mas sei que é assim, sempre é. Foi a mesma coisa com o OVA de Seitokaichou ni Chuukoku, um mangá muito bom. Os personagens ainda nem tinham se resolvido, só tinha uma tensão sexual muito forte entre eles, mas fizeram uma cena de sexo LONGA no que seria um wet dream do Kokusai. Entendo que alguém até pense que não há tanto problema por um wet dream e tal, mas acontece que o Kokusai tinha um stalker que invadiu a casa dele e o molestou enquanto ele tinha esse sonho. A cena que originalmente o faria perceber que sente algo a mais em relação ao Chiga virou uma desculpa esfarrapada pr’uma cena desnecessária e ruim (LOL) de sexo. E tira todo o ritmo da história. Quando o Chiga chega pra ~salvá-lo~ fica tudo muito fora de ordem.
    TODA adaptação de yaoi, seja OVA ou TV anime, é ruim. Pegam histórias ruins na maioria das vezes e dão mais importância ao sexo. Sério, o único anime BL realmente bom que vi foi Ai no Kusabi (que não é pra iniciantes, hahaha). O resto é de horrível a mediano.

    É melhor pedir uma dica a alguém que entende do assunto quando quiser ver um BL, senão dá nisso… XD

  6. shinezena disse:

    Ahh, não fui com a cara de Boukun desde que vi esse tal NOME (nem uma cena tinha visto). Sei lá, parece que o nome já me avisou de que algo não é bom. Visitava sites que falavam de BL, e o que encontro no chat? KOI SURU BOUKUN EVERYWHERE!!!. Foi daí que resolvi assistir, e ver o quão BOM tem que ser para ser tão comentado… Eu vi. “Então vocês gostaram DISSO? Tanto anime BL MELHOR e vocês surtam por isso?” Quanta falta de informação e gosto. Alguém que não conhece um Ai no Kusabi da vida, ta, tem o direito de gostar desses BL’s encontrados em qualquer canto… Mas preferir isso do que Ai no Kusabi? Ohwww, da um tempo… Só se vocês apenas tem olhos pra sexo e não pra história (se bem que Ai no Kusabi tem cenas bem quentes e bonitas).
    Olho pra BL’s com esse tipo de história ganhando anime e digo: Porra! Até eu consigo criar uma história tão non-sense e repetitiva assim!
    Alguns artistas deveriam deixar o sexo pra hora certa… Sabe? Deveriam se aprofundar na história (por mais que seja simples) e não deixar tudo acontecer numa noite…

  7. Sophie Teles disse:

    Vejamos… Cara, eu li o mangá até onde postaram de Koisuru Boukun, vejamos, até o final, pode-se dizer. Mesmo com tudo isso sobre estupro e onde na relação um dos personagens está drogado, eu não estarei sendo sincera comigo se eu disser que não gostei do mangá em si. O OVA pode ter parecido meio rápido, não o culpo, mas o mangá é mais elaborado e melhor.
    Pode ser só coisa da minha mente doentia, mas eu gostei do começo, é isso. Quer ele estivesse drogado ou não, e ainda, eu não considero esse tipo de coisa uma espécie de estupro, até porque, o que se pode esperar quando você se deixa ficar tão vulnerável? Porque é isso que acontece no OVA, o personagem bebe e se deixa vulnerável mesmo sabendo que o outro gosta dele e tudo o mais.
    Mas enquanto ao fato do sexo ficar somente para algumas partes da história, eu concordo. Não é toda hora que precisa aparecer sexo e tudo o mais, porque eu não trocaria uma história de amor “buniteeenha” por uma história cheia de sexo que mais se pareceria com um pornô.
    Enfim, eu gosto de Koirusu Boukun e acho que coisas assim, esses assuntos de estupro e drogas, simplesmente não abalam este anime/mangá. É o que penso. Mas também quem sabe se tivesse ocorrido um pouco mais tarde quando já houvesse um entrosamento melhor dos personagens, poderia ser melhor ainda.

  8. Tanko disse:

    Bom, embora Ai no Kusabi seja muito bom, acho que o Dennys ia ter sensações parecidas com algumas que teve com Koisuru Boukun. Embora o romance comece consensual (Não na melhor das boas vontades, mas consensual), o personagem do Riki vira uma espécie de escravo sexual do Iason, e, bem, ele não parece gostar muito dessa posição. Também rola um bocado de forçação de barra. Também rola “síndrome de estocolmo”. No entanto a coisa é mais franca e mais visceral, talvez pq os personagens vivam numa realidade que não é muito bonita.

    Koisuru, os ovas, são bastante fraquinhos, como a maioria dos trabalhos da Prime Time. Geralmente são 2 ovas que nem sempre cobrem o mangá inteiro e por aí vai. XD

  9. Denys "Fantasma" Almeida disse:

    @leohamasaki
    Eu também esperava que o Tatsumi fosse ser o seme, pelo menos isso eu achei positivo, conseguiram me surpreender nessa parte.

    @Suna
    Sim, você, a Tanko e a Sarah tocaram em um ponto muito importante dessa discussão, a falta de habilidade de maioria dos mangaka em falar de sexo como algo entre iguais. (normalmente) Ou caímos no fetichismo do estupro, principalmente relacionado a homens, ou mesmo quando o que acontece é consensual, existe ali uma hierarquia (normalmente marcada por um controle masculino da situação) bem clara entre quem está comandando o que, quando sexo deveria ser entendido como um momento de união e igualdade íntima (salvo outros tipos de fetiches como BDSM, que pedem por essa hierarquia). De onde vem isso? Conhecemos o Japão como um país não só tradicional, mas também patriarcal, o que talvez explique em parte isso.

    @Tanko
    Vocês falando tanto de Ai no Kusabi, talvez eu baixe para assistir (existe versão anime?)
    Acho que é importante ressaltar nessa discussão, e aqui eu discordo totalmente da afirmação da @Sophie Teles de que o personagem tem certa culpa no que aconteceu por se deixar vulnerável sabendo dos sentimentos e gostos do outro. Isso me remete muito àqueles slutwalks. Não importa o que uma pessoa faz, a questão é que ninguém tem o direito de estuprar outra pessoa em hipótese alguma. Seja um homem que ataca uma mulher com uma saia curta ou um homem que ataca outro homem que não tem controle sobre seu corpo e não consegue reagir. Aqui temos um ponto fundalmental da minha opnião e que talvez eu ainda precise refletir um pouco, mas por enquanto é essa a minha opinião, mas assim como eu acredito que uma pessoa embreagada deve responder por crime culposo (com a intenção de matar visto que sabia da possibilidade antes de ingerir o álcool), também acredito que uma pessoa embreagada não pode acusar alguém de estupro se aquilo foi de fato consensual, ainda que a pessoa não se recorde de ter concordado. Eu não bebo e sou totalmente contra o álcool, mas somos responsáveis pelos nosso atos adultos e sabemos o que o álcool pode fazer com nosso corpo. O que não retira a questão moral de “tirar vantagem” de alguém alterado. No entanto, se a pessoa alterada diz NÃO querer aquele ato e a outra pessoa continua ainda, isso é um estupro claramente e deve ser condenado. Não afirmo que quem assiste um OVA como este vai achar bom estuprar outras pessoas, mas eu condeno moralmente e no texto devo partir da análise do comportamento dos personagens. Não pretendo sugerir censura, precisaria estudar bem se ver um conteúdo desses tem influência forte o suficiente para que devéssemos retira-lo de circulação, da mesma forma como não acho que ver filmes violentos torna uma pessoa violenta.

    @Sarah
    Eu não conheço nada de BL, sou realmente um leigo, mas já ouvi falar muito dessa prevalência de relações sexuais hierarquizadas. A própria dualidade entre seme x uke já trás isso por trás, ainda que um autor habilidose pudesse trabalha-la sem conferir a essa relação (sexual ou não) uma questão de poder.

    @shinezena
    Não lembro onde eu li isso, mas li em algum lugar que as fujoshi buscam o BL PRINCIPALMENTE pelas cenas de sexo homossexual, isso talvez até se volte contra a própria “indústria” de BL que se vê refém dos gostos das fãs que a sustenta, da mesma forma que vem acontecendo com o moe a indústria de animes de uma maneira mais geral. Talvez falte público para histórias BL onde o sexo não seja o foco.

    Gyabbo!

  10. Tanko disse:

    Ai no Kusabi são 2 OVAs baseados em uma novel de Rieko Yoshihara. Não tem mangá até onde sei. Há uma série de 13 episódios em OVA agora para 2012, mas existe alguma possibilidade de que nem todos sejam lançados, então recomendo ver o clássico dos anos 90 mesmo.

    Mas aviso, não é porque a gente gosta que a história é sobre uma relação muito mais saudável do que em Koisuru Boukun. o/ É pesado sim e talvez nem seja TÃO mais madura em termos de relacionamento adulto e consciente do que esta.

    Embora exista sim essa questão do clichê da forçação de barra em MUITOS BL com sexo, acho que hoje em dia podemos ver surgir aqui e ali mangás que subvertem estes conceitos de ativo e passivo, de violência, de estupro consentido, etc.Claro que para a indústria mudar mesmo, o povo deve começar a mudar o padrão de consumo. Infelizmente, se pensarmos bem, pouca influência temos nisso, acho que é uma discussão para as japonesas e como elas vêem a questão.

    Posso dizer que mangás como Koisuru Boukun e Viewfinder são alguns “guilt pleasures” para mim… eu acho que eles são legais. O que posso fazer, né? Eu adoro jogos de guerra e odeio guerra. o/ Não pegaria numa arma neeem… se eu ouço fogos já penso se tem espaço no chão onde me jogar caso seja um tiroteio, enfim. É uma forma -controversa- de entretenimento. Se deixar de existir este estilo de BL amanhã eu não vou lamentar e nem chorar por causa disso, mas se proibirem as autoras de escrever sobre isso, eu vou lamentar sim!

    Em OVAs é mesmo difícil achar histórias leves pq normalmente se apela para esse formato por causa da censura. Material leve tanto faz sucesso que Sekai-Ichi Hatsukoi foi todo tesourado para a TV e tá aí na segunda temporada. XD As séries mesmo são poucas e todas leves. Sukisho, Gravitation, Gakuen Heaven, Junjou Romantica (essa ainda tem cenas de sexo na primeira temporada), Sekai-Ichi Hatsukoi e etc. A indústria do anime BL ainda engatinha perto dos outros gêneros. ^^;

    Bom, esse final de ano tá tenso, é meu último testamento aqui, rsrs.

  11. Tanko disse:

    Ah, como a grandessíssima maioria dos fãs de BL, especialmente no japão é composta de mulheres, talvez a gente veja mais a influência na criação de vítimas do que na criação de algozes. XD~

  12. Nn disse:

    Eu fui ver esse OVA! E não gostei nada da primeira cena de sexo para mim aquilo foi violação (estupro), o homem estava drogado! Se a história tivesse mais desenvolvida e fosse um não/sim, mas para mim a história não estava desenvolvida naquele sentido. Já certas animes com carácter sexual já encerrei logo por ver uma cena de para mim de violação, não gosto. Nem acho normal miúdas de 13/14 anos gostarem! Também já vi animes que a protagonista dizia um não consentido, não dizia sim pela vergonha de ser feio para mulher dizer sim! Ou seja a história estava desenvolvida do ponto que o espectador visse claramente que não era uma violação. Nesta 1º cena de sexo não vi bem isso, o que vi foi ao forçá-lo ao fazer este sexo sei que ele quer e que no final vai acabar por gostar!

  13. nao interessa pra vc o palhaço disse:

    NAO É UM ESTUPRO, SEU BANDO DE RECALCADO UM BEIJO

  14. Rafael disse:

    Não concordo com suas críticas. Na realidade esse anime/mangá conta a estória de um relacionamento conturbado e mal visto pela sociedade. As personagens principais enfrentam uma avalanche de sentimentos difíceis de se lidar e muitas dúvidas. Não consigo ver a primeira cena de sexo como um estupro, visto que ambos cederam de certa forma. Quando um não quer dois não fazem. Além de se tratar de algo que acontece com muita fequência na sociedade. Eu posso dizer isso, pelo fato de ser homossexual. Entendo o sentimento deles acima de tudo. Passei por fases de preconceito até o temor da rejeição. Então francamente, acho que para uma pessoa ver ou ler essa estória precisa-se ter um mínimo de maturidade e senso, pra entender o que se passa. Falem comigo quando crescerem.

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