Professor Layton and the Eternal Diva

Existe dentro da cultura popular brasileira uma certa afirmativa que eu acho extremamente errado: Aquilo que é infantil é ruim. Essa afirmativa pode ser especialmente percebida no fandom de animes e mangas, onde para muitas pessoas dizer que animes são coisas para crianças é uma verdadeiro insulto. Mesmo obras como Naruto e One Piece, voltadas para o público infanto-juvenil, são alçadas por muitos como algo “maduro” simplesmente por não aceitarem que algo infantil pode ser bom (também há o caso das pessoas não quererem ser relacionadas à coisas infantis e por isso essa distorção, mas esse é um papo para outro post).

A questão é que essa é uma das maiores falácias enraízadas na formo como entendemos o entretenimento. Uma obra para ser boa, independente de quem a está consumindo, não precisa sair do infantil. Lá podemos sim encontrar coisas de imensa qualidade, como é o caso do movie que irei comentar hoje; Professor Layton and the Eternal Diva – Layton Kyouju to Eien no Utahime.

“Professor Layton” é o nome ocidental da franquia de games de aventura e puzzles da desenvolvedora Level-5 (também conhecida por Inazuma Eleven, entre outros vários jogos) onde o jogador é desafiado a resolver vários puzzles até destrinchar o mistério final acompanhando as aventuras de Hershel Layton, professor de arquelogia e com um raciocínio muito aguçado, e seu aprendiz, o jovem Luke Triton.

Até o momento foram lançados 5 jogos da série exclusivos para Nintendo DS, um longa-metragem animado, um manga e três livros. A série vem fazendo tanto sucesso que já está em planejamento mais dois filmes animados, um sexto jogo para DS, um spin-off para Iphones e Ipads, além do crossover com outro famoso jogo, Ace Attorney.

Assim como diz seu aprendiz Luke no início do filme, Layton não é apenas um excelente arquélogo, mas também um reconhecido amante de mistérios, tendo resolvido diversos quebra-cabeças mundo a fora. Mas além de tudo isso, Layton é um verdadeiro gentlemen, gentil, educado, paciente e perspicaz, sempre arrumado elegantemente com sua longa cartola. Já Luke Triton, seu “aprendiz número um” como gosta de ser chamado, é um jovem garoto que sonha em ser pelo menos um pouco do que é seu ídolo e mentor.

A história de Professor Layton and the Eternal Diva retrata através de um grande flashback um dos primeiros casos famosos resolvidos pelo professor e seu aprendiz. Três anos atrás Jenis Quatlane, uma ex-discípula de Layton, agora famosa cantora de Ópera, pede ajuda de Layton para resolver um grande mistério.

Um ano após a morte por doença de uma grande amiga, Melina Whistler, Jenis é confrontada por uma pequena garota de sete anos que se diz ser a própria amiga morta. Apesar da incredubilidade inicial, Jenis é forçada a acreditar na garota visto que ela conhece segredos e fatos que somente Melina saberia. A garota explica que a ela foi dada a vida eterna e ao investigar melhor o caso, outras pessoas dizem ter conseguido a mesma coisa.

Assim, Layton e Luke se dirigem ao Crown Petone, um grande anfiteatro onde Jenis está se apresentando em uma Ópera sobre o lendário reino de Ambrosia. De acordo com as lenda, Ambrosia teria sido um reinado governado por uma rainha amante da música. Um dia, a bela rainha caiu em doença, trazendo grande sofrimento ao seu povo que tanto a amava. Grandes esforços foram feitos para criar uma cura para doença da rainha, mas pouco antes de conseguirem fazer isso, ela morreu. O líquido criado não iria somente curar, mas dar a vida eterna para a rainha amada. Assim, todo o povo resolve tomar o elixir da vida eterna para esperar pelo dia em que a rainha morta iria abrir novamente os olhos.

Após o fim da apresentação, os dois investigadores descobrem que na verdade tudo aquilo não passava de uma fachada para a “verdadeira apresentação”. Todos ali, muitos convidados e outros que pagaram caro pela possibilidade, estão presos em um jogo de mistérios onde o vencedor irá receber a vida eterna.

Assim como nos jogos, Layton e Luke precisam resolver diversos quebra-cabeças menores que são apresentados pela mente por trás de tudo aquilo com o objetivo de ir diminuindo cada vez mais o número de participantes. Mas principalmente, precisam descobrir qual o segredo por trás da suposta vida eterna dada como prêmio e a volta de Melina à vida.

Dirigido por Masakazu Hashimoto, Eternal Diva é incrivelmente bem construído e apresentado. Do começo onde é preciso mostrar quem são aqueles personagens para as eventuais pessoas que não tiveram contatos com os jogos, até o desenrolar da trama central, tudo flui em um ritmo perfeito e em menos de 20 minutos todo o necessário para o desenrolar do enredo já foi bem apresentado. Neste momento, apesar de já se saber de antemão do sucesso do Professor Layton no caso (afinal, estamos falando de uma história contada em flashback), você acaba sendo envolvido pelos mistérios e pelo grande carisma dos personagens, especialmente da dupla principal. A questão, muito bem planejada neste filme, não está em que final se dará, mas como ele se dará.

Desta forma o filme progride colocando pequenos puzzles a serem resolvidos enquanto a trama se desenvolve. É certo apontar que nem de longe os quebra-cabeças são realmente complicados, mas todos criativamente criados e resolvidos na frente do espectador, diferente de, por exemplo, Phi Brain, que precisa que você acredite nas habilidades cognitivas dos personagens para resolver os puzzles. Mesmo que não sejam realmente complicados, em Eternal Diva eles conseguem criar um entretenimento dentro de si, aumentendo a diversão sem exigir demais do espectador.

É possível pensar nisso como algo negativo, mas temos que ter em mente que Eternal Diva é um filme infantil. Ao assisti-lo fiquei imaginando como ele seria divertido e desafiador para uma criança. Infelizmente, mesmo sendo uma material de altíssima qualidade, dificilmente será dublado para o Brasil, o que mata suas chances com o público infantil por aqui. Ao lembrar do público-alvo do filme, percebemos como o filme é bom, conseguindo entreter adultos, mas desafiar crianças.

Animado pelo estúdio P.A. Works, o mesmo responsável pelas cut-scenes dos jogos, Eternal Diva chama primariamente a atenção de quem desconhece sua origem pelo seu character design caricato, praticamente igual ao dos jogos, mas atualizado por Noboru Sugimitsu. Apesar de dar um tom mais infantil, o que pode afastar muitas pessoas da obra, esse design se encaixa perfeitamente no tipo de clima que o filme constrói, sendo ousado por um lado, mas contido por outro.

A animação é muito boa, mesmo nos vários momentos em que o CG é exigido (uma das cenas finais é espetacular), mesmo que o filme não a exija tanto. Mas quando exige é uma beleza aos olhos, especialmente nas (poucas) cenas de ação. A fim de completar o grande tom de aventura do longa, ainda temos em grande forma o compositor musical Tomohito Nishiura, que se não fez nenhuma outra coisa no mundo dos animes, é o responsável por toda parte musical da franquia de Professor Layton. E apesar de eu não ter percebido de primeira, ainda temos a belíssima voz (e dublagem) de ninguém menos que Mizuki Nana no papel da cantora de Jenis. Por mais que muitos achem que a Mizuki Nana é superestimada, em papéis como esse ela mostra todo seu potencial e deixa todos impressionados. Também é bom destacar a dublagem de Horikita Maki, conhecidíssima atriz japonesa, no papel de Luke Triton.

(Assista os 10 primeiros minutos do filme dublados em inglês em HD)

 Muito bem executado e com uma história que instiga a curiosidade dos espectadores sem precisar apelar para violência, sangue ou muitos complexidades, Professor Layton and the Eternal Diva consegue mostrar que o infantil pode, sim, ser bom, precisando apenas que os fãs abram mais a mente. Se você jogou algo de Professor Layton, esse filme é mais do que uma obrigação, mas se você não jogou, não se preocupe, é um filme que consegue se resolver de forma autónoma, mas é bom avisar, você vai querer comprar um DS logo em seguida.

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4 respostas para Professor Layton and the Eternal Diva

  1. wildcat17 disse:

    Precure é infantil. Preconceito.
    Digimon é infantil. Sucesso.
    Enfim, sou fã dos dois, sem problema.

  2. Roberto disse:

    Baixando!

  3. SDragneel disse:

    O filme, pra quem jogou os jogos, é bem completo e os puzzles são muito bons, principalmente aquele do rei (KING). Trilha sonora impecavel como em todos os jogos da série ajudam muito no filme, além da arte que é fantastica.
    Esse filme é nada mais do que uma adaptação perfeita dos jogos.

  4. Judson disse:

    Já tinha visto falar do jogo , mas não me lembrava desse filme, gostei dos puzzles. Me lembrou indiana jones, é infantil e muito bom

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