Pokemon – O filme – Mewtwo Strikes Back!

Há mais de 14 anos atrás Pokemon era uma imensa febre no mundo inteiro e como não podia ser diferente a franquia começava a lançar o que seria uma longa sequência de filmes. Em janeiro de 2000 chegava ao Brasil o primeiro desses filmes, Pokemon: Mewtwo Strikes Back! ou como ficou conhecido por aqui: Pokemon – O Filme.

Lembro de ter visto esse longa nos cinemas, esperando em longuíssimas filas e recebendo minha carta do Electabuzz ao comprar o ingresso. Nesses 12 anos que se passaram desde a primeira vez que assisti, o filme ficou marcado como um dos grandes animes que eu já assisti, mas será que meus 11 anos não teriam me enganado?

É essas e outras coisas que pretendo responder e comentar nessa nova “coluna” que se inicia no blog Gyabbo!. Mensalmente irei comentar cada um dos (até o momento) 14 filmes existentes, e entre eles comentar também os especiais da franquia. Como diria a frase mais famosa da série “Gotta Catch ‘Em All!”.

Antes de começar realmente a falar de Pokemon: Mewtro Strikes Back! é preciso comentar algo importante. Eu assisti ao filme nos cinemas, no Cartoon Network e na versão nacional para home-video, todas elas versões americanas para a animação japonesa. Nesses meus posts a ideia é me ater aos originais, por isso você pode notar algumas diferenças.

Obcecado pela morte da sua pequena filha, Ai, um cientista busca, através do DNA encontrado em um fóssil dos cílios do lendário pokemon Mew, criar uma versão melhorada de Mew e com os poderes de tal criatura conseguir recriar a filha morta. Sua obeceção é tamanha que o cientista é abandonado pela esposa, que não aguentava mais a dor de não só ter perdido sua filha, mas por ver seu marido enlouquecido e preso em suas pesquisas infrutíferas.

Apesar de não conseguir seu objetivo principal, a equipe do cientista consegue desenvolver Mewtwo, um pokemon do tipo psíquico, aquele que seria o mais poderoso de todos. Mas criado por humanos artificialmente e tendo contato com a pequena Ai através de suas ondas cerebrais, Mewtwo não consegue se entender simplesmente como um Pokemon, nem como um humano, muito menos como uma criatura feita para obedecer seus criadores.

Sim, você pode estranhar esse começo do filme, um tanto quanto mais sério e triste, afinal, justamente por isso aproximadamente 10 minutos do início do filme foram retirados pela 4Kids, o que muda completamente o tom não só do filme, mas do seu personagem principal, Mewtwo. Diferente da imagem apresentada ao ocidente, Mewtwo não é um vilão canhestro a fim de conquistar e reinar sobre o mundo. Mewtwo é um ser – ainda que ele mesmo não tenha certeza disso – angustiado por não conseguir entender o que é, o que deve fazer, para que serve todo o poder que tem em mãos.

Mewtwo possui um vazio existencial que irá leva-lo a recriar melhor as experiências do próprio laboratório onde foi criado, Pokemons copiadas, “melhorados”, mais fortes, porém, não pela simples necessidade de poder, mas sim para dar razão a sua própria existência como um ser criado a partir de outro.

É justamente após esse começo focado na origem e desenvolvimento de Mewtwo que o filme começa a se perder, seguindo para o caminho da mediocridade (no sentido de ser mediano). Ash é convidado por suas habilidades demonstradas junto de Brock, Misty e outros treinadores a conhecerem o auto-intitulado “Maior treinador de Pokemons” em uma ilha próxima. Ao chegar no local após enfrentarem um mar revolto em uma forte tempestade, todos são surpreendidos ao descobrir que o tal grande treinador é um Pokemon.

Começa então uma sequência de batalhas entre Mewtwo e seus pokemons clonados contra os pokemons originais. Ainda que tudo isso esteja pautado pelos comportamentos de Mewtwo e na sua necessidade de se afirmar como igual – ou mesmo superior – às criaturas naturais, o filme segue para uma longa sequência que tenta imprimir velocidade e adrenalina até o clímax do filme. No entanto, justamente por termos criaturas tão poderosas (Mewtwo e posteriormente o próprio Mew) e pelo pouco tempo de filme, inexiste uma única batalha realmente memorável que pudesse prender o espectador. O mais próximo disso é o enfrentamento de dois charizards com uma imensa lua cheia ao fundo, terminando com um belíssimo arremesso sísmico que derrota o Pokemon de Ash. Mas todas as lutas se passam em poucos segundos, não permitindo sentir uma grande empolgação.

É então que o filme toma um caminho não tão inesperado para época – vide os memoráveis episódios mais emotivos da própria série televisiva em suas primeiras temporadas – e que, apesar de ser muito forçado, acaba funcionando. Ash, ao ver o horror dos Pokemons criados e naturais lutando sem nenhum objetivo, apenas ferindo uns aos outros gratuitamente, resolve se interpor ao embate de Mew e Mewtwo, recebendo o ataque de ambos ao mesmo tempo e… virando pedra. Sim, pedra. Engraçado como anos atrás eu não questionei isso, mas qual a razão plausível para o treinador ter virado pedra senão pela necessidade do roteiro em criar um momento emotivo que resolvesse o filme? Um gigantesco Deus Ex Machine que acaba dando certo quando se é criança, mas que hoje soa como uma escolha completamente descabida dos roteiristas.

Forçado ou não, não há como negar que as lágrima de Pikachu ao ver seu treinador “morto” se torna um momento fácil de trazer as lágrimas dos mais emotivos. Além disso, é um momento belo principalmente pela escolha do diretor de som, Masafumi Mima, em deixar tudo no silência, ressoando apenas o desespero do Pokemon elétrico. Sozinha, uma cena para ser lembrada. Dentro do contexto, um exagero sem lógica.

Não sei até onde isso foi proposital, mas o final do filma acaba gerando uma reflexão sobre a própria lógica de Pokemon. É icônica a conversa entra Meowth e seu clone, que se recusam a lutar por saberem que o ataque de suas garras iria doer e machucar bastante. Afinal, por que lutam os pokemons? É lógico que tudo isso é esquecido e após o clímax emocional do filme, Mewtwo resolve que seus próprios métodos não fazem sentido, que a relação entre pokemons e humanos é muito mais profunda que a de simples criatura e criador. Assim, ele, Mew e os outros pokemons clonados vão embora, tendo todas as memórias dos acontecimentos apagadas pelos poderes psíquicos de Mewtwo.

Sim, para um filme de 1998 a animação do estúdio OLM Digital não é ruim, mas o filme envelheceu mal e vários momentos são bem fracos visualmente, especialmente se lembrarmos de estarmos falando de um longa-metragem de uma franquia poderosa. Mas ainda assim podemos dizer que o primeiro filme da franquia é bom, ainda que nada além disso.

Mesmo sua versão original sendo mais complexa – até onde um produto de Pokemon pode ser complexo -, ela continua sendo apenas boa, nada mais, soando bastante como um episódio especial alongado da primeira temporada da série.

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Uma resposta para Pokemon – O filme – Mewtwo Strikes Back!

  1. Andrei disse:

    O Filme foi magnífico… acho os filmes da 1 e 2ª geraçõe são um pouco maduros, e não sei porque, mas acho que da forma que foram feitos apresentam um clima mais “sombrio”, pela escuridão que se da a imagem(não sei porque kkk’)…Isso simplismente mostra que os filmes de Pokemon são melhores que o anime. Acho os personagens nos filmes mais bem estruturados, não parecendo retardados muitas das vezes.
    Filme que provavelmente fez parte da infancia de muitos aqui(da minha pelo menos) e que contem, inserido, no seu tema, reflexões.
    Mudando um pouco de assunto… queria ver um post comparando o mangá de Pokemon(o adventure) com a série animada. Que em minha opnião: Mangá >>>> Aníme kkkk’
    Adorei a análise. Continue com ótimas análises :D.
    Ciao, Ciao

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