A história de Buda em Mangá – Editora Satry

Sempre que uma editora chega no mercado trazendo mangas vem aquela esperança de que alguma coisa possa mudar. Foi assim com a feliz entrada da L&PM Pocket e da mesma forma quando a desconhecida Editora Satry chegou com um lançamento diretamente para livraria, A história de Buda em Mangá, por Hisashi Ohta.

Preciso admitir que nunca li nada mais aprofundado sobre Buda e/ou o budismo, conheço algumas coisas por algo. Nem a versão feita pelo mestre Osamu Tezuka pela Conrad eu consegui ler, na época por falta de dinheiro, visto que era um título também para livrarias, mas longo. Assim, a compra desse manga me empolgava de duas maneiras; pelo lado do mercado nacional de mangas e pelo tema que me interessava conhecer.

Infelizmente acabei bastante decepcionado com a experiência.Sidarta foi um príncipe da região nordeste da Ásia que tudo possuia: riquezas, mulheres, luxo, tranquilidade, uma boa esposa, um filho varão, o apoio de seu pai, o rei, para suceder no trono. Mas dentro de si pairava um grande inquietamente sobre a verdadeira felicidade humana, o verdadeiro sentido da vida.

Assim, Sidarta começa a observar a natureza e seu próprio povo, percebendo que ninguém poderia escapar do fatídico destino da velhice, das doenças e da morte por fim. Desta forma, do que adiantavam os prazeres efêmeros se logo eles seriam substituídos pelo sofrimento inerente ao ser humano?

Sidarta decide então virar asceta, largar todas as suas posses e luxos para buscar o conhecimento da verdade como uma ermitão. É assim, depois de anos em busca da iluminação para a paz suprema – o estado de nirvana – que Sidarta consegue despertar, chegando ao estado de Buda.

Sim, apesar do objetivo didático do manga em apresentar a origem daquele que seria conhecido como o “Supremo Buda” e fundador daquilo que conhecemos como budismo em sua raiz principal, o desenvolvimento da obra consegue ser metódica demais, repetindo o único argumento que pode ser resumido em “Dinheiro não traz felicidade”, sendo a iluminação a única forma de ser verdadeiramente feliz.

Porém, não existe neste didatismo todo uma única razão para que possamos realmente entender o budismo. De uma hora pra outra (ou de umas páginas para outras) Sidarta, depois de jejuar e meditar muito, chega à iluminação, passando então a espalhar os seus conhecimentos por aí. Sério, se fosse assim tão fácil chegar ao estado de Buda as coisas seria bem mais simples.

Diferente de uma obra para iniciantes, A história de Buda em Mangá parece ser muito mais uma celebração para aqueles que já conhecem e que já concordam com a prática budista. Se por esse lado é uma decepção, como obra de entretenimento também não empolga, entediando com uma repetição exaustiva dos mesmos discursos.

Ok, narrativa e desenvolvimento não são bons, mas pelo menos podemos comentar positivamente sobre a arte de Hisashi Ohta, mais realista, séria, conseguindo passar bem a atmosfera de austeridade da vida de sofrimentos que Sidarta irá encontrar. Mas não é possível se animar muito já que, apesar de ser um manga em formato livro, temos aqui a maior transparência já vista nas páginas de um manga. Esqueça Sora no Otoshimono, esqueça Kobato, A história de Buda em Mangá consegue chegar em um novo patamar, chegando ao ridículo, principalmente por ser um material de livraria custando R$21.00.

Aí você chega ao final da obra e lê no expediente que o “projeto gráfico” ficou por carga da Editora JBC…sério, parece perseguição minha, mas vejam a próxima imagem:

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Você está vendo não só uma, nem duas, mas três páginas ao mesmo tempo! E tenha certeza, em mãos é pior ainda.

Se você estiver a fim de conhecer a história de Buda em manga, procure a obra de Osamu Tezuka. Eu nunca li, mas sinceramente, a obra da Editora Satry não vale a pena mesmo, valendo até uma recomendação às cegas (ok, ainda assim recomendar Tezuka é meio que apelação). Guarde seus R$21.00 para coisas bem melhores, você realmente não irá querer perder tempo e dinheiro nisso.

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5 respostas para A história de Buda em Mangá – Editora Satry

  1. Panino Manino disse:

    Três páginas ao mesmo tempo?
    UM NOVO RECORDE!

  2. chronadsi disse:

    Eu quase comprei esse mangá e é verdade, em mãos é triste! Vai ver, tão querendo facilitar a visão das pessoas, da pra ler algumas partes sem nem virar a página! rsrsr…
    …. a coisa tá feia.

  3. MEEEEEEEEEEU DEUS! O_O

    Nossa Denys, a coisa tá feia hein? D:
    Semana passada eu quase comprei, mas acabei comprando Bakuman, pra minha alegria, agora nem passo perto disso aí. XD

  4. matheus disse:

    A obra do tezuka é tipo para “leigos em budismo” ? eu não sei NADA sobre Budismo(sou cristão), mas queria conhecer mais e tals…Escolher a do tezuka seria melhor escolha então para isso?

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