Marcelo Del Greco de volta pela editora Nova Sampa com Kyou Kara Hitman

Nesta quinta-feira começou o Anime Friends, o maior evento sem foco na animação e quadrinhos japoneses que utiliza-se de “anime” no nome do Brasil. Mas o foco aqui não é esse, até por eu nunca ter ido a uma AF. 

Com informações do blog Chuva de Nanquim, ficamos sabendo diretamente do evento que houve um espaço para o ex-gerente de conteúdo da editora JBC anunciar seu novo trabalho. E a notícia, apesar de já circular entre os bastidores do mercado desde sua saída da JBC, vem para causar barulho com a “entrada” de uma nova editora no mercado de mangas brasileiro, a Nova Sampa.

Na década de 90 a editora foi responsável por trazer ao país dois títulos de peso, Crying Freeman e Lobo Solitário (como pode ser observado na imagem acima), sem completar nenhum dos dois e com uma edição bem duvidosa de acordo com as informações que tenho pelas pesquisas realizadas para esse post (nunca vi uma edição dessas ao vivo, não posso dar a minha opinião). Além disso, juntamente com a ACME (atual Conrad) e com o próprio Del Greco, começou com a saudosa Herói na época do boom de Cavaleiros do Zodíaco. Hoje ela é mais conhecida por suas revistas de crochês, costura e culinária, mantendo apenas os quadrinhos Chiclete com Banana e Mundo Canibal.

E junto desse anúncio, Marcelo Del Greco trouxe também a notícia de que a entrada da Nova Sampa nesse mercado se dará através de um manga seinen, a obra Kyou Kara Hitman do autor Hiroshi Mutou iniciada em 2005 e que atualmente conta com 20 volumes encadernados, ainda em continuação. Na história, Tokichi Inaba é um salaryman comum, tímido e pau-mandado da esposa e do seu chefe durante o dia, mas que acaba sendo obrigado a assumir a alcunha de um dos maiores assassinos profissionais atuais, o “Dual Pistols”; conhecido assim não por usar como armas duas pistolas simultaneamente, mas sim por, além da arma literal que usa para matar, possuir entre as pernas uma grande “magnum“. Apesar de ser um título pouco conhecido por aqui, a série já chegou a ganhar uma versão em live-action no ano de 2009 pela Toei cujo trailer você pode conferir AQUI.

Lendo os primeiros capítulos é fácil notar que o material é algo bem diferente do que Del Greco fazia na JBC. Temos em Hitman um seinen no sentido mais popularesco da palavra: sangue, nudez, sexo e violência, muita violência. Li apenas os dois primeiros capítulos do manga, mas fiquei impressionado como eles conseguiram me prender na leitura tão facilmente. Pelo menos o início é muito bom, com um traço mais carregado e “grosseiro” se adaptando perfeitamente bem ao roteiro do manga.

Para marcar território no mercado que temos, certamente foi uma escolha. Isso se a editora realmente seguir firme com sua linha de mangas (sim, Del Greco disse que outros devem vir logo), já que 20 volumes de uma obra ainda em andamento não é pouca coisa.

Quem acompanha o blog Gyabbo! sabe que eu não sou muito fã do profissional Marcelo Del Greco e que para mim ele era um dos grandes entraves da melhora no nosso mercado de mangas. Você pode ler melhor nos artigos “Análise do discurso de Marcelo Del Greco e o futuro obscuro do mercado de mangas no Brasil” e “A saída de Marcelo Del Greco da editora JBC e as mudanças no mercado brasileiro de mangas“, mas sempre comemorarei a entrada de uma nova editora.

Mais do que nunca, precisamos de concorrência, precisamos de opções. Se a Nova Sampa começa com uma opção que foi muito renegado no Brasil, os seinen, já começa com o meu respeito. Não temos maiores informações, como o formato dos mangas, preço, periodicidade, mas é fato que, apesar de tudo, a vasta experiência de Del Greco com a publicação de mangas deverá, no mínimo, evitar problemas como o que víamos, por exemplo, pela editora On-Line. Lançando no formato de qualidade padrão brasileiro, já será muito bem-vindo, mas é claro que esperamos mais, ainda mais em um momento fértil onde a qualidade do material parece estar crescendo com as novas diretrizes da JBC.

Não há como eu deixar o passado de lado e não ter um pé e meio atrás com esse anúncio, afinal, não serei hipócrita de negar todas a palavras que escrevi nos posts acima citados. Mas as pessoas mudam e talvez a saída da JBC e a ida para uma nova editora, que já inicia seus trabalhos alvejando um público mais adulto, podem (e eu espero que sim) ter trazidos novas ideias para Marcelo Del Greco.

Mais do que nunca é esperar para ver. Concorrência é sempre bom. Mangas de diferentes demografias é sempre bom. E se no final o produto for bom, independente da figura por trás da sua produção, irei comprar (especialmente pelo conteúdo que li do manga ter me chamado muito a atenção).

E você, o que espera dessa nova empreitada de Marcelo Del Greco no mundo dos mangas com a Nova Sampa? Aguardo seus comentários!

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8 respostas para Marcelo Del Greco de volta pela editora Nova Sampa com Kyou Kara Hitman

  1. Leandro disse:

    Cara eu tenho o Del Greco como um herói, não pelos motivos que vc o questiona óbvio, mas pelos seus trabalhos com a Herói e com Yu Yu Hakusho.
    Pois bem, eu assisti algumas palestras do Marcelo e ele sempre fala da dificuldade de negociar com os japoneses e como é difícil segundo ele encontrar títulos que possam fazer sucesso aqui no Brasil, e este pensamento é que me entristece ao saber das únicas e reais pretensões para lançamentos de mangás aqui na nossa terra tupiniquim. Porém as soluções apresentadas por ele questionadas em outros momentos eu não tomo impertinentes, pois é claro que como consumidor e fã de mangás eu quero escolher o que quero e não que eles tem para oferecer, mas toda a burocracia e a nossa cultura de não buscarmos o que realmente gostamos onde simplesmente aceitamos o que a “maioria quer” e apenas o que é sucesso é que é legal, é com certeza um grande obstáculo para novos lançamentos. Sabemos muito bem que não é por paixão que eles lançam mangás e sim pelo lucro e é evidente que existem pessoa mesmo na JBC ou em qualquer outra que pouco importa com a sua opinião ou para a qualidade do material e sim exclusivamente pelo lucro. Falta como vc mesmo citou em outro post uma boa ação de marketing, que acredito que praticamente não exista, a divulgação é praticamente entre nós fãs de mangás e nós mesmos consumidores.
    Espero que este novo projeto funcione muito bem, eu serei um dos apoiadores desse novo projeto e espero que tenha um retorno satisfatório para que como outros não caia no abandono.

    • Marcos Correia disse:

      Leandro, o manga, aqui ou em qualquer lugar do mundo, é uma indústria cultural de consumo. Se não vende, não se mantém. Simples assim.
      “As únicas e reais pretensões para lançamentos de mangás aqui na nossa terra tupiniquim”, como você pontuou, são exatamente as mesmas que no Japão, EUA e França: GRANA! Ninguém lança manga por caridade nem por interesse pessoal. Lança-se manga que vende e dá lucro.

      • Leandro disse:

        A Shonnen Jump por exemplo manda tudo junto o público escolhe o que eles preferem, óbvio que é o lucro gerado a partir das vendas e do sucesso, que o público escolheu, aqui não só os que deram lucro e tem um respectivo sucesso é que vem. Ai entra naquele problema dos poucos títulos, nós não podemos escolher o que queremos e sim o que vendeu.

        • Marcos Correia disse:

          A Shounen Jump (e similares) seleciona muito bem o que põe na revista. E seleciona justamente o que tem potencial de venda, dentre os milhares de histórias e autores que produzem manga por lá. Ela já faz um filtro antes de lançar.
          O público brasileiro de leitores, seja de livros, HQ ou manga, é muito pequeno, não somos um país de leitores. Então, tudo o que se publica aqui tem tiragens pequenas se comparadas com as tiragens do Japão, EUA e Europa. Daí, quem seleciona títulos para trazer para cá, sofre muita pressão e não pode se dar ao luxo de trazer um título que dê prejuízo. Os contratos de licenciamento com o Japão são caros e não dá pra cancelar títulos a qualquer momento se não vender bem, sem absorver um senhor prejuízo.
          Nenhuma editora nacional faz como a Jump, deixando o publico decidir por votação, simplesmente porque não produzimos o manga aqui. A gente compra produto acabado, selecionado, testado lá fora e em outrios mercados. Mas o público brasileiro praticamente ignora HQs nacionais (tirando o Mauricio de Souza), eles querem manga “japonês”.
          Não adianta ficar reclamando, a realidade é essa. Pra mudar isso, temos que criar uma indústria de HQs nacional. Mas isso não é fácil (a Ação Magazine já provou isso) e não se muda a cultura de um país de um dia pro outro. Mais fácil aprender japonês e mudar pra lá (ou pelo menos importar os mangas).

          • Leandro disse:

            Vc citou bem a Ação Magazine, eu torci para podesse dar certo, mas sem o Ben 10 na capa fica difícil vender. Sobre a mudança da nossa cultura é evidente que a leitura não é algo que nós façamos assiduamente, eu por exemplo leio muito conteúdo digital em inglês e há uma infinidade de mangás traduzidos para esta língua, a maioria deve ser feita por fãs e mudar para o Japão implicaria em outros choques culturais.
            Enfim espero que o seinen dê certo que e que um dia a Anime Friends tenha um FOCO em animês, percebi tbm que se quiser ler algo que eu livremente possa escolher terei eu mesmo que escrever.

  2. Marcos Correia disse:

    Eu comprava os mangas da Nova Sampa na época. Papel jornal, impressão meia boca, espelhamento, etc. Típico daquela época.
    Mas segundo rumores da época, o que pegou é que a edição era “pirata”. Eles na verdade não teriam os direitos de publicação devidamente negociados. Mas são rumores que eu vi pipocando aqui e ali, nunca ouvi confirmação disso.
    Fora que eles não lançavam O Lobo Solitário na ordem. Dava a impressão de ser uma série com episódios não exatamente interligados, indo e voltando no tempo, sem conexão. Só quando a Panini lançou a série toda é que se teve uma idéia da obra de arte que aquilo era de fato.

  3. Pingback: One Piece e Dragon Ball estão fazendo sucesso no mercado brasileiro de mangas? |

  4. Naty/AshKey disse:

    Legal isso, como você disse é bom ter concorrência e opções. Atualmente, a opção para quem compra mangá é JBC, Panini (está que me deixou descontente com a parte de assinaturas) e a tão pouco conhecia New Pop!!
    Não sei porque, mais curto o trabalho do Marcelo Del Greco e se ele tem experiência com o mercado de mangá aqui, com certeza não irá nos decepcionar.
    Quem sabe quais outros títulos ainda podem estar por vir com essa nova editora?
    O jeito é esperar e deixar as “reclamações” de lado, pelo menos até vermos o trabalho do mangá publicado.

    http://naty-land.blogspot.com.br

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