Editora JBC detalha o lançamento de Super Onze – Inazuma Eleven

17_super_onze_145547Super Onze – ou Inazuma Eleven no original – chega com a difícil meta de popularizar os mangas no Brasil para fora do nicho. Confira os detalhes!

Conforme havíamos noticiado em julho aqui no Gyabbo!, a editora JBC resolveu sair da sua zona de conforto investindo em mangas para diferentes públicos com diferentes formatos. Primeiro tivemos Death Note Black Edition que vem vendendo muito bem nas livrarias. Mais recentemente aconteceu o lançamento de Thermae Romae, algo que em pouco tempo nunca imaginaríamos que sairia por aqui, voltado para um público mais maduro. Agora é a vez de mirar nas crianças em busca de renovar um mercado tão preso aos fãs de sempre.

Com um manga cuja adaptação em animação já passou no país pela Rede TV! – por isso a preferência pelo nome adaptado e que, pessoalmente, vejo como algo muito positivo vendo o objetivo do lançamento – e que apela para o futebol, algo que marca tanto nosso país, a editora resolveu publicar Super Onze em um formato diferente dos mangas padrões, apostando em presença constante nas bancas, preço menor e um formato que possa se infiltrar com maior facilidade entre quadrinhos como os da Turma da Mônica.

Assim, os 10 tonkohon originais viram 34 Edições no total pelo preço de R$4,90 em uma periodicidade quinzenal, utilizando um formato de capa mole, estilo gibi infantil, variando entre 50 e 80 páginas por edição com dimensões de 13,5 cm x 20,5 cm (mesmo tamanho da maioria dos mangas da editora como Blue Exorcist e Rurouni Kenshin) e leitura oriental (da direita para esquerda) com seu lançamento programado ainda para esse mês de setembro.

Eu já havia deixado claro no meu post anterior que eu acredito que esse lançamento da JBC é no mínimo corajoso – e merecedor de parabéns pela audácia em nosso mercado tão moroso – e que possivelmente será uma grande bola dentro da editora, se me permitem o trocadilho oportuno.

Entendam, esse lançamento não é para mim, não é para você leitor padrão do Gyabbo!, não é para adolescentes e/ou adultos (ainda que não tenha problema algum eles comprarem). Esse é um título voltado para outro público, um público nunca antes explorado no país no mercado de mangas. Por isso a estratégia de fazer edições menores, com preço menor, que estejam sempre nas bancas com volumes novos (entende o quinzenal?). Isso sacrifica a qualidade gráfica do manga? Sim, mas a ideia não é se preocupar com preciosismos, mas ser uma leitura rápida e divertida pra garotada que em seguida vai deixar o manga em baixo da pilha outras revistas e brinquedos (e que possivelmente irá aproveitar o fator preto & branco para colorir). Durabilidade não é um fator importante.

Ah! E não é meio-tanko, não vamos ter má fé. São formatos bem diferentes.

Ainda assim, a editora não esquece dos seus compradores “normais” e já garante que caso venda bem a ideia é compilar essas edições menores em volumes completos como sempre.

Então por favor, muito cuidado na hora de criticar a iniciativa. Posso estar sendo otimista demais? Certamente, posso dar com a cara na parede em acreditar tanto em um produto assim (Shin Chan veio de forma semelhante e fracassou de forma retumbante na Panini, ainda que seja histórias e ideias diferentes), mas depois de tantos anos acompanhando e comentando sobre esse marcado não consigo deixar de me animar com algo que realmente procure mudar as bases que temos hoje, oxigenando um mercado cada vez mais asfixiado.

É claro que existem coisas a serem questionadas como o fato de manterem a leitura em modo oriental. Já é um obstáculo grande para fazer uma criança ler um quadrinho em preto e branco, imagine com ele ao contrário? O preço também soa um pouco salgado pelo pouco número de páginas e o material mais barato de capa por exemplo (uma regra de três simples mostra isso), mas não sei até que ponta seria possível baratear ainda mais.

Super Onze me animou, a JBC me animou. Se semana eu fiz fortes críticas a ela com o relançamento de Guerreiras Mágicas de Rayearth e a falta de investimento em títulos shoujo/josei – e não retiro nada do que eu disse -, hoje venho elogiar uma iniciativa que, na minha visão, soa muito boa para todos.

Que venha Super Onze, que ele faça muitas crianças correrem aos pais pedindo o título e seja o início de uma nova geração de leitores de mangas!

Mas e você, qual é sua opinião sobre esse lançamento e mudança de paradigmas da JBC? Quero ouvir sua voz nos comentários aqui embaixo para podermos discutir o futuro desse mercado.

17 respostas em “Editora JBC detalha o lançamento de Super Onze – Inazuma Eleven

  1. Achei que foi uma atitude muito legal da Jbc tentar ir de encontro a novos públicos. Afinal, se é um mangá infantil, o ideal é que esteja em um formato/preço que se enquadre no estilo de vida das crianças, certo? A única coisa que pegou, na minha opnião, foi essa história de manter o formato oriental. Soa até ilógico, na verdade: se a intenção é atingir o público que não lê mangá, por que raios eles decidiram manter justamente o fator que, ao lado da arte em preto e branco, mais causa resistência em quem não conhece os quadrinhos japoneses? Não faz o menor sentido. Seja como for, espero que a empreitada tenha sucesso, e que ajude a formar novos leitores de mangá, =).
    Off: Agora eu pergunto: Se é possível adaptar mangá para vender para crianças, porque não fazer o mesmo com obras voltadas para outros públicos? Pegue aquele mangá shoujo “aborrescente” e coloque para vender do lado de revistas como Capricho e afins. Pegue aquele seinen sexo-porrada-e-sangue e coloque para vender perto de hqs e revistas que atraem quem gosta desse tipo de história. Pegue um mangá de culinária, e coloque para vender perto de revistas de…culinária! Coloque um anúnciozinho inteligente aqui ou ali, e venda a revista em um formato que atraia o seu público alvo. Daí você vem me falar se o gênero tal e tal não vende, =P.

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    • Tome meu like.

      Acho que essa é a atitude ideal. Até porque tu pode vender como “Livro ilustrado”. Nem todo mundo é preciosista que nem os fãs. É possível pegar licenças de mangás undergrounds só para tentar mercados inusitados, acho que poderia dar certo… e sinceramente, seria a chance perfeita para espelhar as imagens e atrair sangue novo.

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    • O pior que isso nem depende das editoras, mas das próprias bancas. Talvez um trabalho de conscientização? Talvez ajudasse, com marketing, aqueles bonecos de papelão, etc. Nas bancas daqui, eles pegam as HQs e colocam em destaque e os mangás lá no fundão perto do chão tomando poeira. E as vezes são títulos atrativos que por causa dessas coisas, acabam fugindo do olhar das pessoas que se interessariam por aquilo. Claro, também tem o fato das editoras se acomodarem demais com os lucros que obtém pelo nicho e os títulos grandes de maior expressividade. Também é foda que a margem de lucro das editoras com todos os gastos atuais são muito baixos.

      Aproveitando a oportunidade e me dirijo a todos: porque diabos a Jbc acha que as crianças vão comprar isso? Tipo, sei lá, já vi editoras apostando nesse mesmo formato outras vezes e nunca deu certo, porque daria agora, o que a Jbc está fazendo de diferente? Por que se o planejamento dela é apenas colocar esse mangá na banca e torcer pelo milagre das crianças receberem o chamado, olha…

      Até porque, pra crianças, quem incetiva essas coisas neles são os pais. E agora, Jose?

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      • Penso que o que levou a Jbc a invetir nesse título foi:
        1 – É um mangá sobre futebol + superpoderes. Toda criança *adora* uma história com superpoderes, e a maioria dos garotos (e algumas garotas também) gostam de futebol. Enfim, o tema é atrativo para o público visado.
        2 – É um mangá declaradamente infantil. Eu nem sabia que mangá existia na época em que mangás como Shin-chan e Dr. Slump foram vendidos em formatos alternativos por aqui, mas a questão é: dá para dizer que esses mangás são infantis? Pelo pouco que eu conheço das obras, diria que não; são obras que partem do universo infantil, mas visam atingir outro tipo de público. Já Super Onze é um mangá sobre crianças, feito para crianças. O estilo e a linguagem são outros.
        3 – A arte. É relativamente fácil para um adolescente/adulto vencer a barreira de uma arte feia/alternativa em prol de uma boa história, mas uma criança tem BEM mais preconceitos quanto a isso. A arte de Super Onze, além de estéticamente agradável, tem um “quê” de cartum americano – o que, a meu ver, torna a absorção da obra mais fácil para o público infantil, que está acostumado a consumir muita coisa nesse estilo.
        É claro que nada disso irá adiantar se a Jbc não investir em uma boa estratégia de marketing. O grande público não conhece esse tipo de produto; é preciso fazê-lo acreditar que aquilo é “legal”, que vale a pena comprar. Se o mangá só ficar jogado no fundo da banca, como você disse, sem propaganda que estimule a sua compra, vai estar fadado ao fracasso.
        Mudando o foco, concordo 100% contigo sobre o negócio do posicionamento nas bancas. Há muito, MUIIITO tempo atrás, o Lancaster fez um artigo bem legal no Maximum Cosmo, explicando como Love Junkies conseguiu alcançar o público não leitor de mangá aqui no Brasil, simplesmente por ser colocado ao lado de revistas pornográficas nas bancas de jornal. Infelizmente o blog parece não estar mais no ar, e eu não encontrei o texto em nenhum outro lugar, =/
        Seria legal mesmo se as editoras investissem no treinamento dos funcionários das bancas. O problema é: quem vai arcar com as despesas? A não ser que existisse algo como um “sindicato das editoras de banca” e elas resolvessem agir em conjunto, não consigo ver uma editora investindo em algo que teria um custo alto, e traria benefícios não só para ela, mas para suas concorrentes também. Talvez algum dia aconteça algum milagre, e as editoras resolvam se dar as mãos em nome dessa causa comum…Mas, ao menos por enquanto duvido que aconteça, *suspiro*.

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  2. Seria muito interessante se a JBC utilizasse de propaganda nas próprias bancas com cartazes/panfletos e, principalmente, em TV.

    Será que seria uma grande despesa de marketing para a editora se usasse de TV? Talvez. Mas o seu canal Henshin no YouTube e os blogs/sites especializados estão longe ( penso eu ) de serem o mesmo que utilizar a TV. Afinal, estamos considerando um público que ainda não sabe buscar a informação (e provavelmente nem quererá). Então, a editora deve fazer um esforço de marketing para atrair não somente aquela criança que passa pela banca todo dia mas também aquela que passa próxima à banca, vê o cartaz/panfleto e pede aos pais para comprar e também aquela criança que terá visto a propaganda na TV e já poderá ir à banca com a decisão/vontade de comprar.

    Penso eu que seria uma boa tática de marketing.

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  3. Seria muito mais eficiente tornar a leitura ocidental visando o objetivo desse lançamento… e o preço.. nem sei oque falar… acho que está exorbitante demais pela qualidade e conteúdo …
    Sim é uma boa aposta.. um tanto arriscada.. e ainda mais com essas duas divergentes..

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  4. Nunca pensei que diria isso, mas acho que tinha que ser leitura ocidental…

    Até porque, se a ideia é:
    “Caso venda publicaremos tanko normal”

    Bom, então dá pra fazer o Tanko normal em oriental e a edição “economica” ser ocidental, sem problemas.
    Existem trocentos motivos que tornam ruim uma história em quadrinhos ser espelhada, nenhum deles importa para crianças.

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  5. As fujoshis, fudanshis, shotacons e demais fãs de personagens “novinhos” já estão com o dinheiro separado para comprar o mangá do Super Onze, assim que ele sair nas bancas.
    A gurizada (para quem o mangá é destinado originalmente), vai ter de se acostumar a visão de garotas mais velhas, mulheres e até rapazes e jovens adultos comprando o referido mangá.
    Sem dúvida, graças a essa fatia inusitada fãs a que já me referi acima, a JBC não vai ficar no prejuízo, mesmo que o número de consumidores infanto-juvenis seja menor do que o esperado, disso podem ter certeza.

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  6. Com certeza a leitura oriental irá atrapalhar, mas acho que o preço vai atrapalhar mais ainda. Eles, no minimo, deveriam deixa no mesmo preço dos tankos “padrão”, ou seja, R$10,90 / 3 = R$3,65

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  7. Tipo, há trocentos anos atrás a Abril lançou Digimon mais ou menos nesse formato [só q era leitura ocidental] e eu me lembro q comprei alguns, então eu acho essa uma aposta segura da JBC, bom vamos ver como vai ficar. Considerando q as crianças gostam muito desse desenho [tenho um irmão de 12 anos aki de prova] talvez o estilo de leitura não seja um empecilho muito grande.

    E a propósito gente, esse é meio q o preço padrão de revista infantil. Tio Patinhas por exemplo, tem 80p e custa os mesmos R$5, e eu acho q essa revista tem um papel um pouco maior q uma revista comum.

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  8. Pingback: Boletim de Informações #3 - Editora JBC e Panini - Gyabbo!

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