Palestra com Kaworu Kurosaki (roteirista de Samurai X)

Na noite da última segunda-feira (24/02/14) aconteceu no Clube do Trabalhador do SESI em Manaus uma palestra e bate-papo com Kaworu Kurosaki, escritora japonesa e esposa de Nobuhiro Watsuki, criador do manga publicado na Jump na década de 90, Samurai X – Rurouni Kenshin que atualmente está em republicação pela editora JBC no Brasil – organizada pela Fundação Japão em parceria com o Consulado Japonês em Manaus.

O evento, marcado para as 19h, começou com um certo atraso por volta das 19:30h depois de passarmos um tempo sendo entretidos por uma palhaço. Kurasaki foi apresentada e, ao lado de um tradutor local, começou sua palestra sentada em uma mesa enquanto falava sobre os slides que construiu acerca do tema “Processo de criação do mangá – No caso de Rurouni Kenshin“. Muito simpática, a autora conseguiu rapidamente construir um bom elo com seu tradutor e com o público, deixando a explicação fácil de entender e interessante.

P1120092Desde o começo foi deixado claro que a ideia da palestra não seria somente trazer curiosidades acerca de Samurai X, mas utilizar o manga enquanto mídia para instigar a curiosidade nos brasileiros presentes para conhecerem melhor o país e a língua japonesa. Kurosaki explicou que o jeito mais fácil de começar a carreira de mangaka é através dos grandes concursos feitos pelas editoras, como o prêmio Tezuka, voltado para títulos dramáticos, e o Katsuka, voltado para histórias cômicas, que além de possibilitar a publicação de novos autores também ajuda com os prêmios financeiros. A palestra seguiu com uma visão geral do processo de criação, desde a criação de um “name” (rascunho da ideia para página de uma manga a ser discutida com um editor) até o pensamento do tema a ser abordado na história que varia de escolhas pessoais à necessidades editoriais.

Um exemplo interessante sobre a escolha do tema para um manga dado durante sua fala foi acerca de como Rurouni Kenshin foi construído. Após a escolha por um manga de batalhas, Watsuki, por não querer fazer algo “muito viajado” como um Bleach da vida, voltou-se para o kendo do qual foi praticamente e escolheu uma história de época. Mas a história do Japão é fascinante e cheia de batalhas, que momento escolher? A verdade é que a era Meiji foi utilizada simplesmente pelo autor achar feio os “chonmage“, estilo de corte de cabelo utilizado antigamente no Japão que estava em desuso justamente na época em que Samurai X se passa. Outro exemplo foi sobre o Capítulo Zero de Rurouni Kenshin onde Watsuki queria usar militares ocidentais na história, mas foi convencido pela esposa a representar médicos ocidentais visto que Kurosaki entendia melhor sobre medicina e assim seria mais fácil escrever sobre o tema.

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2014-02-24 19.38.00Kurosaki continuou comentando sobre o processo de criação de um manga, chegando a expor os horários de trabalho diários e mensais de Watsuki. Já comentamos aqui no Gyabbo! sobre essa tema no caso de Eiichiro Oda, de One Piece, mas é impressionante ver essa informação vindo diretamente da esposa do autor. É viver para fazer manga literalmente.

Após essa parte, continuamos conhecendo melhor esse processo de criação a partir de exemplos retirados do manga atual de Kurosaki e Watsuki, Embalming – The Another Tale of Frankenstein, com ela mostrando algumas páginas não publicadas nem no Japão! Continuando, passamos do manga em si para vermos diferenças entre essa mídia e a adaptação para anime.

P1120033Vemos através de fotos trazidas pela autora como um roteiro para anime é bem maior que o feito para um manga. Para exemplificar bem essa questão, Kaworu usou uma novel sua lançada em 2012 no Japão em que reconta a história de Rurouni Kenshin (por sinal ela está a procura de pessoas para publicar a obra aqui no Brasil. JBC, alguém?), mostrando o seu roteiro, o Name do início de parte do primeiro capítulo feito pelo mangaka Riichiro Inagaki (criador de Eyeshield 21) e um Econte (rascunho feito para guiar a criação de um anime) do diretor Masahiro Ando, o mesmo de Canaan.

Esse momento me deixou muito curioso pois é possível ver no Econte o logotipo do estúdio P.A. Works, além de ser um trabalho muito bem detalhado para ser apenas um exemplo feito por um amigo. Será que a novel escrita pela autora está ganhando uma adaptação para manga e anime?! Infelizmente isso não foi dito por ela durante a palestra e não pude perguntar. Fica a especulação. Pessoalmente eu não veria problemas em ter mais um anime de Rurouni Kenshin… e você?

P1120070Mais detalhes foram ditos, como a forma que Inagaki pensou para construir seu próprio Kenshin ou a necessidade de situar o leitor no espaço onde a cena se passa já no primeiro quadro entre outras coisas interessantes, além de um momento de maior integração com o público onde duas pessoas puderam interpretar o roteiro apresentado nos papéis de Kenshin e Saitou.

Com isso a palestra terminou e algumas perguntas foram permitidas, todas feitas por escrito e traduzidas na hora. Por conta do curto espaço de tempo apenas seis foram respondidas (eu mesmo havia escrito seis, só uma foi lida). Ainda vou atualizar esse post com vídeo gravado com essa parte, mas por enquanto vamos por texto mesmo.

2014-02-24 20.00.51A autora explicou que os mangakas não se envolvem na decisão da trilha-sonora das versões em anime por ser algo muito complexo, sendo preferível deixar nas mãos de profissionais da área. Outra pergunta foi feita sobre os materiais utilizados para desenho e como Kurosaki entrou para a indústria de animes e mangas. Watsuki utiliza a famosa “G Pen”, apesar do desejo de utilizar programas de computador. O problema é que pela falta de tempo -para estudar e se especializar neles o autor acaba tendo que continuar a trabalhar de maneira manual (outro vídeo será colocado nesse post com uma cena do autor fazendo isso). Já sobre a forma como ela entrou para esse mundo, a autora explica que seu trabalho como escritora foi mediado pelo mesmo editor que trabalhava com Watsuki na época, possibilitando o encontro dos dois e sua entrada. 

Ela se mostrou orgulhosa por sua profissão, tanto como escritora quanto como mangaka, ainda mais por isso te-la permitido vir para Manaus por exemplo. Em outra pergunta a autora explicou que o seu personagem favorito em Samurai X muda de tempos em tempos. Até pouco tempo atrás ela tinha como favorito Saitou, mas no momento ela prefere o Hiko, mestre de Kenshin, por ele ser um personagem que não se envolveu nas batalhas políticas e físicas da época do Bakumatsu visto que o lado pelo qual ele lutasse certamente venceria já que ele é “o foda” (sim, ela disse isso). Assim, a autora fica se perguntando o que ele estaria fazendo naquela época. Por último, respondendo a uma das minhas perguntas, Kurosaki falou que seus mangas favoritos atuais da Shonen Jump são One Piece, Naruto e Assassination Classroom, além de Toriko, que é muito discutido entre ela e Watsuki. Já fora da Jump seus favoritos são Yowamushi Pedal – pela emoção que passa, fazendo ela querer pegar uma bicicleta na hora pra cair pedalando – e, claro, Ataque dos Titãs.

20140225_144727Por último foram realizados alguns sorteios, com brindes como dvds, cds, blusas e pôsteres oficiais da franquia, além de cada presente ter recebido um cartão com Kenshin e Kaoru de um lado e Kenshin e Tomoe de outro, muito bonito! A autora deu suas últimas palavras, agradecendo bastante a recepção de todos e se mostrando feliz pelas coisas que viu em Manaus, principalmente por ela ter morado no Brasil na época do primário. Tirou uma foto com todos na platéia e foi embora, com os organizadores impossibilitando pegar autógrafos ou fotos individuais, infelizmente.

Como vocês puderem ler aqui no Gyabbo! o evento foi muito interessante, principalmente pela acessibilidade e carisma que a autora passou. Para os fãs de Samurai X é um prato cheio, para os fãs de manga é obrigatório e para quem quer conhecer melhor esse universo é uma ótima pedida.

Ela ainda irá para o Rio de Janeiro e São Paulo antes de voltar para o Japão, confira a programação. Se você for dessas cidades ou proximidades não deixe de comparecer e mostrar para os organizadores que existe público para eventos assim (essa foi uma das perguntas do questionário passado por eles). Pelo menos Manaus deixou claro lotando o espaço para 200 pessoas em plena segunda-feira a noite. Agora é com vocês do Sudeste!

RIO DE JANEIRO – RJ
Quando: 26 de fevereiro de 2014 (quarta)
Horário: 15h
Onde: UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro
Auditório do Departamento de Engenharia
Informações: Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro

SÃO PAULO – SP
Quando: 27 de fevereiro de 2014 (quinta)
Horário: 19h30
Onde: FNAC – Loja Pinheiros
Praça dos Omaguás, 34, Pinheiros, São Paulo
Próximo a estação Faria Lima do metrô (Linha Amarela)
Informações: (11) 3579-2000
Capacidade: 80 lugares

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Agradecimentos muito especiais à Peace pelas fotos em alta resolução!

PS: Esse post deve passar por atualizações com fotos de melhor qualidade – as atuais foram tiradas com meu celular – e dois vídeos que serão colocados no Youtube e depois aqui.

10 respostas em “Palestra com Kaworu Kurosaki (roteirista de Samurai X)

  1. Isso é um ultraje! Como um evento acontece antes em Manaus? Não é nem evento ecológico ou de proteção indígena! Não posso aceitar! Primeira vez que o Denys cobre um evento antes de todo mundo! Hahahahahaha!

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  2. como foi meu primeiro evento que participei sobre a cultura japonesa eu fiquei muito feliz de ter ido e conhecer a roteirista do Rurouni Kenshin que foi muito simpatica :D

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  3. Muito legal, mas como sempre, esses eventos são muito mal divulgados! Ainda bem que foi lá primeiro, porque se tivesse acontecido aqui em SP eu só teria ficado sabendo depois, ia acabar passando raiva.

    Valeu pela dica, vou ver se consigo comparecer.

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  4. Também estava presente. Achei a palestra muito boa! Bom, sobre a situação da Novel virar uma animação, pelo que eu entendi, realmente irá ocorrer, tendo até o cara responsável e tal!
    Espero que o consulado faça mais eventos assim na nossa cidade!

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  5. Pingback: Kaoru Kurosaki fala sobre si, Watsuki, Eiichiro Oda e mais no Rio

  6. Pingback: Por que todo desenhista deveria ter ido ver a mulher do Watsuki | XIL (shil)

  7. ‘A autora explicou que os mangakas não se
    envolvem na decisão da trilha-sonora das versões em anime por ser algo
    muito complexo, sendo preferível deixar nas mãos de profissionais da
    área.’ Caraca, isso me deixaria puto ‘-‘ Não ligo para nada além da trilha, o quanto de conhecimento seria nessessário para opinar? Se alguns milagres fossem realizados e assim eu conseguisse a oportunidade de ter um anime, eu chutaria a oportunidade se não me dissesem o quanto eles gastariam com trilha e como o fariam, e me ouvissem atentamente logo após ‘-‘ Eu provavelmente iria querer entrar em estúdio com o compositor. Memso se fosse um Tenmon ou um Yasuharu Takunashi U.U

    Tirando minha estúpida opinião sobre algo no momento intangivél, fiquei muito puto por não ter tido a oportunidade de assistir a palestra. Falta de rescursos, os quais me esforçarei para ter para algum futuro evento raro como este :D Mas o pouco que o Genkidama trás já me da bastante satisfação *-*

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