Pluto – Mangá

O que acontece quando duas mentes geniais em roteiros se fundem para criar uma história única? A resposta para essa pergunta se resume a uma palavra: Pluto!

É um verdadeiro desafio fazer uma breve análise que seja sobre Pluto. Caso você ainda não conheça essa obra, ela simplesmente une dois dos maiores gênios dos mangás! De um lado temos aquele que é considerado o deus dos mangás, praticamente o criador desse estilo de história em quadrinhos como conhecemos hoje em dia, aquele que marcou seu nome na história; Osamu Tezuka! Do outro lado, um dos maiores gênios da atualidade com o seu estilo de arte característico e seus roteiros de mistério cada vez mais afiados, o criador de diversas obras renomadas como Monster, 20th Century Boys e Billy Bat; Naoki Urasawa!

É ou não é uma obra de uma magnitude diferente? Isso é o que você está prestes a conhecer nessa matéria. Isso é Pluto!

Pluto 2

A história remonta o cenário criado por Osamu Tezuka na obra Astro Boy, um futuro bastante distante do nosso onde humanos e robôs vivem em sociedade, mas não sem as suas desavenças. Certos humanos tem o péssimo hábito de serem… Humanos… E se acharem superiores aos que são diferentes, seja por credo, raça, cor ou mais uma gama de outros motivos diversos que não fazem sentido algum. Difícil alguém não conhecer ao menos um pouco do universo criado por Osamu Tezuka, mas na sua maior obra, Tetsuwan Atom, os cientistas foram capazes de criar uma inteligência artificial que é bem semelhante à inteligência dos humanos e o robô mais próximo disso já criado foi exatamente Atom (Astroboy, para os mais saudosistas).

Mas qual o propósito de se criar robôs tão semelhantes aos humanos e depois criar represálias contra eles? Será que é certo aproximar tanto os robôs dos humanos? Essas questões são o ponto central da obra.

Ao começo do mangá somos apresentados a esse universo magnífico e informados que os cientistas, apesar de todos os preconceitos da humanidade, criaram sete robôs que se assemelham aos humanos e que muitas vezes conseguem ter sentimentos e passarem despercebidos de serem robôs, são eles: Montblanc, Norse #2, Brando, Heracles, Epsilon, Gesicht e o próprio Atom. Todos esses acabam sendo verdadeiros super heróis lutando contra guerras sem sentido e seguindo sempre as regras dos robôs de não ferirem os humanos e usarem seus poderes somente para o bem. Misteriosamente, logo no início da história, Montblanc é apresentado como um pacificador dos mais puros para em seguida ser assassinado. Por quem? Quem assassinaria um robô que somente utiliza seus poderes e influências para o bem dos humanos? Qual era a grande diferença entre ele e os humanos que protegia? Gesicht então entra na história como um robô policial, um dos mais fortes entre os sete grandes, e o único que pode resolver este e outros casos de assassinatos de robôs que estão misteriosamente ligados, mesmo sem saber que os outros cinco e ele próprio estão na mira do assassino.

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Pluto não é exatamente de autoria de Osamu Tezuka, mas todo o seu universo foi colocado ali pelo gênio Naoki Urasawa e foi transformado em um dos thrillers policiais mais densos e complexos do autor. A obra teve início em setembro de 2003 nas páginas da revista seinen Big Comic Original, da editora Shogakukan, sendo finalizado em abril de 2009 num total de oito volumes e hoje é um dos mangás referência para qualquer fã da demografia. Infelizmente ainda não foi aproveitado aqui no Brasil, mas não seria estranho vê-lo em breve por aqui, principalmente com o fim de Monster se aproximando nas mãos da Panini.

Fala que o universo de Tezuka é sensacional é chover no molhado, mas o que mais impressiona é a série de conflitos existenciais e discussões éticas que os robôs encaram frente aos humanos. A obra advoga que o ser humano tem por natureza um lado preconceituoso e é muito difícil se libertarem definitivamente disso. Basta ver como o mundo é encarado hoje e imaginarmos como seria se tivéssemos robôs entre nós, andando e realizando tarefas como se fossem humanos. Se já temos tanto preconceito hoje em que todos nós somos humanos iguais e da mesma forma, imaginem o clima nesse mundo fictício.

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Pluto surpreende também pelo fato de deixar Atom em segundo plano. Quando se ouve dizer que esse mangá se passa no mesmo universo de Astro Boy, logo esperamos ver o próprio garoto robô em ação com todo o seu protagonismo, mas o Urasawa deixa bem claro para os leitores que o Atom não é o foco, ele é apenas mais um dos robôs que vive nesse mundo e mais um que sofre preconceito apesar de toda a sua boa vontade. O protagonista é Gesicht e isso fica bem claro o tempo todo. Tanto que Atom não aparece logo de cara, precisando passar alguns volumes para ele dar as caras no belíssimo traço do autor.

Engraçado é perceber os robôs realmente agindo como humanos. O ministério da ciência criou formas de os robôs se casarem e até terem filhos! Trabalharem como humanos, viajarem, e viverem suas vidas úteis como qualquer humano comum. Isso é demonstrado de uma maneira bem dramática numa cena onde Gesicht visita uma senhora robô que acaba de ter o seu marido destruído e assassinado. Gesicht espera encontrar uma situação fria como seria de praxe de robôs, mas o clima é mais tenso do que o esperado e a pobre esposa acaba sofrendo pela situação. Ela tem a opção de ter o seu chip de memória apagado para não se lembrar do marido, mas escolhe manter essas lembranças para sempre para poder se lembrar dos momentos bons que passaram, nos remetendo imediatamento a nossa própria humanidade.

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Outros personagens já conhecidos dos fãs de Tezuka também dão as caras como o Doutor Ochanomizu, a irmãzinha de Atom, Uran e também o Doutor Tenma, criador da A.I. mais próxima dos humanos. É até engraçado o modo como eles encaram essa criação de maneira diferente como o próprio criador a encara. Todos dizem que a A.I. mais próxima dos humanos é a A.I. mais perfeita já criada, mas o próprio Doutor Tenma diz que ela é tão perfeita e tão igual aos humanos que ela é falha visto que próprios humanos são falhos. Robôs não matam humanos, mas humanos matam a si mesmos e isso dá brecha para o personagem que dá nome à obra pois todas as respostas para os crimes investigados por Gesicht, apontam para a A.I. mais perfeita já criada: Pluto.

O traço de Naoki Urasawa continua perfeito como sempre. Com aquele realismo de encher os olhos, ele conseguiu dar uma nova cara ao universo de Tezuka e dar mais carisma aos personagens do que antes. Os cenários são sempre impressionantes, ainda mais nessa obra onde tudo é tão tecnológico e impressionante por si só. Sem dúvida, Pluto é uma das maiores obras do autor e a sacada de aproveitar o clima tenso dessa era robótica para um thriller policial foi o toque de mestre.

Ainda não leu? Tá esperando o quê?

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6 respostas em “Pluto – Mangá

  1. Não consegui comprar nem Monster e nem 20th Century Boys na época, e nem fui atrás por que ta muito caro os volumes antigos então vou esperar lançar pluto mesmo. Muitos dizem ser a melhor obra do Autor

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  2. Vamo Panini, não me decepcione! Mas se for trazer dá pra caprichar mais na edição do que em 20th Century Boys né?

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  3. Gosto muito do autor. Não sei se vale a pena comparar as obras. Mas entre 20th CB, Monster e Pluto, ainda meu preferido é Monster, embora ainda esteja no volume 5 de Pluto. Acho ele incrível, aliás, os três, mas Monster é meu preferido entre eles ainda.

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