Grand Guignol Orchestra – #MêsDoShoujo

Grand Guignol Orchestra, ou Ningyou Kyuutei Gakudan no original, é um manga shoujo de horror, mistério e zumbis, cuja autoria é de ninguém menos do que a mestra do gênero gótico, Kaori Yuki.

GGOSegundo Kaori Yuki, Grand Guignol Orchestra é a história de um grupo de músicos que viaja espalhando canções de amor em um mundo devastado e infestado por “bonecos” chamados “Guignols”. Ou melhor, em uma visão menos romantizada; é a história de uma orquestra composta por três criminosos e uma pianista que viaja por um mundo que é uma fusão entre Idade Média e Inglaterra Vitoriana em meio a um apocalipse zumbi.

Os Guignols, comparados com “marionetes”, são os clássicos zumbis. Na versão do manga, as pessoas que são infectadas pelo vírus Galatea tem seus cadáveres reanimados e reagem a alguns tons de música de diversas maneiras.  Kaori Yuki explica em um freetalk no primeiro volume que escolheu “Guignols” pela palavra soar bem, mesmo que “bonecos” ou “marionetes” encaixassem melhor com a história.

A orquestra não é composta por guignols apesar do título passar essa impressão. No mundo da história ela é conhecida como a Orquestra Real Não-Oficial. No primeiro arco a trupe visita uma cidade e logo percebe que há algo errado com aquele lugar: Não há crianças, o cheiro é esquisito, a população segue fervorosamente uma estranha religião e frequenta uma igreja recém construída. O lorde que os chamou é odiado pelos habitantes assim como o seu “filho”, Eles.  Ao questionarem o porquê disso, é dito para eles que todas as crianças da cidade foram mortas pelos Guignols, exceto por Eles, irmão da garota que os habitantes culpam pelo ataque.

GGO1Grand Guignol Orchestra segue o ponto de vista de Eles. Como Lucille, o cantor do grupo, percebe ao fim do primeiro capítulo, Eles é na verdade Celes se passando pelo irmão, pois os moradores jamais aceitariam que ela continuasse viva. O verdadeiro Eles havia convencido a garota a fazer um concerto de piano para as crianças da cidade, o que atraiu os zumbis para o local onde todas elas estavam brincando. Celes passou um ano fingindo ser Eles – e por causa disso, ela tem dificuldade de separar a imagem do irmão de si mesma e preferiu continuar a usar o nome dele mesmo depois de deixar a cidade.

Eles, de início, age com revolta para com a chegada dos membros da orquestra, por julgar que um concerto musical é a última coisa que sua cidade precisa. Contudo, a criança acaba por se envolver com a missão dos músicos e se torna a pianista deles. Já Lucille é extravagante e o líder, pois é quem toma a maioria das decisões pela equipe.

O gênero de Lucille é um ponto importante para o enredo, seja por ser andrógino, com vários personagens o confundindo-o com mulher várias vezes, como também pela questão de com qual gênero ele pessoalmente se identifica. Inclusive, esta é provavelmente uma das razões que o aproxima de Eles, por terem isso em comum. A orquestra é completada pelo esquentadinho violinista Kohaku e pelo caladão violoncelista Gwindel, embora o foco em geral seja em Eles e Lucille.

GGO3A arte de Grand Guignol Orchestra possui o selo de qualidade Kaori Yuki. Aposto que você jamais verá zumbis tão elegantes quanto nesse manga. Os cenários são uma mistura entre cidades medievais, arquitetura gótica e a Inglaterra Vitoriana. As personagens são elegantemente desenhadas, ricas em detalhes na composição da aparência, além dos figurinos belamente desenhados. É um capricho só. Não só o traço é de encher os olhos, como complementa o enredo ao dar um ar etéreo para obra.

Já o enredo, pelo menos até o segundo volume, até onde li, não é tão polêmico como os outros mangas da autora. A história funciona através de arcos entre dois e três capítulos, um estilo que remete aos primeiros volumes de Conde Cain. Cada um desses arcos possui uma história isolada, com algum caso para a orquestra resolver. Grand Guignol Orchestra é uma mistura entre mistério, suspenso e terror. Esse elemento de terror, vale ressaltar, é influenciado pelo gótico, com os humanos normais muitas vezes sendo mais cruéis do que aqueles que foram transformados em monstros.

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O título Grand Guignol Orchestra é uma referência ao teatro Grand Guignol que funcionou entre 1897 e 1962 em Paris, o qual era especializado em espetáculos de horror naturalista. O título original do manga, Ningyou Kyuutei Gakudan, perde essa referência em sua tradução direta: “The Royal Doll Orchestra” (ou “A Orquestra Real de Bonecos” em tradução minha). Por tanto, a adaptação da editora norte-americana Viz para Grand Guignol Orchestra é o mais adequado em manter a intenção original da autora.

Kaori Yuki possui mangas que se destacam mais, embora eu considere Grand Guignol Orchestra uma obra mais segura em relação aos outros títulos da mangaka, com menos assuntos polêmicos e uma história mais fácil de se acompanhar. É uma nova pegada em histórias de zumbi, até por relacionar com a música e os cenários medievais. O manga combina com o estilo de arcos curtos, contudo, isso causa um atraso no desenvolvimento do enredo principal, o que pode ser um incômodo para alguns leitores.

Ele é um dos mangas mais recentes de Kaori Yuki, de 2008. Grand Guignol Orchestra conta com cinco volumes no total e saiu na revista Bessatsu Hana to Yume da editora Hakusensha no Japão. Kaori é uma autora de shoujo veterana no Brasil, onde a editora Panini lançou seus dois maiores sucessos, Angel Sanctuary e Conde Cain. Para ler mais sobre Kaori Yuki e a arte gótica no manga, clique aqui.

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