Chiune Sugihara: Herói e traidor

Você conhece esse homem?

Chiune Sugihara foi um diplomata japonês que traiu o seu próprio país.

Chiune Sugihara foi um diplomata japonês que salvou milhares de judeus de serem mortos por nazistas.

Se você não fugiu ou dormiu nas aulas de história, deve saber que em 1939 teve início a Segunda Guerra Mundial, um conflito global e sangrento que ceifou milhões de vidas. De um lado estavam os países Aliados, comandados pelos Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética, e do outro estavam Alemanha, Itália e Japão formando o Eixo. Foi durante esta guerra que ocorreu o Holocausto, o genocídio de cerca de seis milhões de judeus. Embora não tenham sido as únicas vítimas – homossexuais, deficientes, ciganos e várias outras etnias consideradas “inferiores” também sofreram e morreram – os judeus eram o alvo mais visado dos nazistas.

prisioneiros

Prisioneiros em campo de concentração

Em julho de 1940, na cidade de Kaunas, Lituânia, uma multidão de judeus poloneses se aglomerava diante do Consulado do Japão. Eles estavam tentando escapar dos nazistas indo para Curaçao, no Caribe, e precisavam de visto do governo japonês porque a rota de fuga passava pelo Japão. Chiune Sugihara, que era o consul em Kaunas, recebeu instrução para recusar os vistos já que os judeus eram perseguidos pelos nazistas, que por sua vez eram aliados do Japão.

Sugihara tinha sido enviado à Lituania depois de ter pedido demissão de seu posto anterior na China, em protesto contra a crueldade com que os japoneses estavam tratando os chineses na Manchúria, território que tinha sido ocupado pelo Japão em 1931. Por aí já dava para perceber que ele era o tipo de pessoa que defendia o que achava certo mesmo que isso lhe causasse prejuízo.

Sugihara

O diplomata Chiune Sugihara

Um cônsul desobedecer o seu próprio governo em tempos de guerra era algo quase impensável, ainda mais para um japonês. Mas Sugihara, com apoio da mulher e dos filhos, desobedeceu a instrução de seus superiores. Todos concordaram que simplesmente não tinha como olhar para tanta gente desesperada e recusar ajuda.

Durante 29 dias vistos foram concedidos ininterruptamente, chegando ao número incrível de 300 por dia. Quando foi forçado a fechar o consulado e deixar a Lituânia, ele continuou com os vistos até no trem, jogando passaportes pela janela para que os refugiados que o seguiam pegassem.

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Refugiados à espera do visto na entrada do Consulado do Japão

Por causa do que aconteceu na Lituânia, o governo japonês dispensou Sugihara. Desempregado aos 50 anos de idade em um Japão empobrecido pela guerra, precisou fazer todo tipo de pequenos serviços para sobreviver. Viveu na pobreza, lutando para sustentar a família sob olhares de condenação daqueles que o consideravam um traidor da pátria.

Mas os judeus que tinham conseguido se salvar graças aos vistos concedidos por Sugihara consideravam-no um herói. Durante muitos anos depois da guerra eles tentaram localizá-lo sem sucesso, em parte por falta de cooperação do governo japonês e em parte porque Sugihara vivia muito modestamente e nunca contou a ninguém sobre suas ações na Lituânia.

Em 1968, finalmente, conseguiram encontrá-lo.

monumento lituania

Monumento em homenagem a Sugihara na Lituania.

Chiune Sugihara recebeu do Yad Vashem – memorial oficial do Holocausto em Israel – o título de Justo Entre As Nações. Inicialmente, o governo israelense tinha planejado plantar em sua homenagem um bosque de cerejeiras, árvore-símbolo do Japão, porém mudaram de ideia e acabaram plantando cedros.

Curiosamente, os kanjis que formam o nome “Sugihara” (杉原) significam “bosque de cedros”.

PARA SABER MAIS:

http://www.infoescola.com/segunda-guerra/ (sobre a Segunda Guerra Mundial em português)

http://www.goisrael.com.br/Tourism_Bra/Articles/Attractions/Paginas/Yad%20Vashem.aspx (sobre o Yad Vashem em português)

http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/Sugihara/home.html (sobre Sugihara, português)

http://variety.com/2014/artisans/news/japanese-period-drama-persona-non-grata-wraps-in-poland-1201350016/ (notícia de filme sobre Sugihara, inglês)

http://paulocoelhoblog.com/2007/09/12/daily-message-93/ (sobre o bosque de cedros, inglês)

4 respostas em “Chiune Sugihara: Herói e traidor

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