Steins;Gate – Editora JBC – Vol. 1, 2 e 3

A editora JBC foi além das nossas expectativas e desafiou a SERN para colocar Steins;Gate em nossas mãos! Agora leia essa análise antes que eles venham nos pegar! El Psy Congroo!

A editora JBC começou o ano de 2015 causando um alvoroço no mercado de mangás em nosso país anunciando uma penca de títulos um atrás do outro. E era bomba atrás de bomba com Akira, Ghost in the Shell, The Seven Deadly Sins e tantos outros que me falham a memória. Dentre tantos anúncios, alguns pegaram a todos de surpresa, sendo títulos que achávamos que nunca veríamos por aqui como Enigma e Zero Eterno. Pessoas criticaram, pessoas elogiaram, mas essas obras falam por si mesmas e nos trazem alternativas de mangás que nunca tivemos por aqui antes. O Gyabbo! já fez a análise de Enigma que você pode conferir clicando AQUI e agora você confere como ficou a versão brasileira da aventura no tempo de Steins;Gate!

Steins Gate 2

A trama nos apresenta a Rintaro Okabe, autoproclamado cientista maluco, que acredita ser perseguido por uma organização secreta pronta para roubar suas invenções, quando ele praticamente não passa de um jovem que possui aquele transtorno da oitava série (são pessoas com dificuldade de se aceitar na sociedade e que acabam criando um alter ego grandioso e agindo como tal) e faz suas experiências malucas com dois amigos; a bobinha Mayuri e o otaku Daru. No meio de várias invenções sem grandes propósitos, eles trabalham numa invenção com o nome provisório de “teleforno”, a qual conecta um microondas a um celular, mesmo sem saber exatamente para que ela pode servir, até um dia em que, com a ajuda de uma universitária chamada Makise Kurisu, eles descobrem que o “teleforno” pode servir como uma máquina do tempo, trazendo consequências inimagináveis para o mundo.

Ainda que a ficção científica abordada seja bem interessante, o crucial da obra está na grande importância dada para as relações entre os personagens. Okabe é um cara que preza muito pela amizade, mesmo sendo estranho o jeito dele demonstrar. O desenvolvimento dessas amizades acaba sendo um pouco prejudicado pelo ritmo da história, já que a relação entre o elenco mais próximo fica bastante superficial, sendo difícil se importar com personagens que não foram trabalhados muito bem. Por exemplo, após um acontecimento chave que muda o curso da história e mostra ao Okabe o quanto é perigoso brincar de viagem no tempo, essa relação com seus amigos chega ao clímax mesmo sem ter sido bem mostrada antes e soa meio forçada, mas ainda assim não perde o foco da obra. Mesmo com esses defeitos, o mangá é uma ótima leitura.

Steins Gate 3

A obra possui os seus defeitos e é importante ressaltá-los, mas não são na história em si, mas na adaptação em mangá. Steins;Gate teve um anime bastante aclamado em 2011 e o mangá é um pouco inferior em alguns aspectos. O primeiro deles é o ritmo de leitura que parece ser bastante acelerado, causando estranheza em algumas cenas. Quando se pula de uma linha do tempo para outra, é difícil entender que é realmente isso que está acontecendo, coisa que o anime mostra perfeitamente. Talvez essa impressão esteja presente só para quem assistiu o anime antes, mas que o quadrinho poderia ser um pouco mais devagar e desenvolver o plot em mais volumes, isso poderia.

A edição lançada aqui está linda! São apenas três volumes, mas as capas são um show à parte. O logo ficou bastante fiel ao original e todos os volumes trazem páginas coloridas de abertura num papel diferenciado, com bastante capricho. As páginas internas também estão numa gramatura agradável, não sendo possível ver as páginas no verso como víamos em alguns mangás da JBC e sem tinta soltando também.

Steins Gate 4

Algo que as pessoas tem reclamado bastante pela internet a fora é sobre a tradução e adaptação de alguns termos, e o principal alvo das críticas é o “mad scientist maluco”. Este é o termo que o personagem usa para se autodefinir, mas as pessoas criticaram o fato do pleonasmo existir ali, quando talvez não tenham entendido o personagem de Rintaro Okabe. Ele é um jovem um pouco desequilibrado e empolgado com a sua chance de fazer algo de bom para o mundo, mas ainda é apenas um jovem ainda assim. Ele não é especialista em inglês! Ele apenas faz algumas experiências com seu conhecimento em ciência e assim como seu laboratório se chama Mirai Gadget, ele se autoproclama “mad scientist maluco”. Talvez ele não saiba o significado de “mad” ou queira intensificar a maluquice de seu alter ego. O fato é que a tradução e adaptação de Denis Kei Kimura deu um espírito mais vivaz ao protagonista, coisa que ele não teria se fosse um simples “cientista maluco”

Com um tema bastante intrigante, afinal viagens do tempo sempre são, o mangá de Steins;Gate foi baseado em sua visual novel original da produtora 5pb e Nitroplus, e ilustrado por Yomi Sarachi num total de três volumes publicados originalmente na revista Comic Alive no ano de 2009. Apesar do anime ter feito muito barulho em 2011, parecia pouco provável que essa obra chegasse até nós por já ter passado a época do seu hype, mas foi uma escolha bastante acertada por parte da editora JBC, sendo um prato cheio para os amantes de ficção científica.

Steins Gate 5

Em suma, a edição brasileira de Steins;Gate está nas bancas para ser admirada e colecionada e sem dúvidas é uma obra bastante empolgante. Lógico que não se compara ao anime, que fez um sucesso estrondoso, mas a arte é bonita e o tema de viagens temporais tem seus méritos em papel e nanquim também. Ponto para a Editora JBC que continua na sua empreitada de nos trazer as mais variadas obras.

4 respostas em “Steins;Gate – Editora JBC – Vol. 1, 2 e 3

  1. Estou lendo o primeiro volume e vi algo que não me agradou, não sei se foi um erro ou uma opção do editor. No final do 3° capítulo quando Okabe fala sobre o dia 2 de agosto, no original é 2010 e colocaram 2015.
    Se foi uma opção, foi bastante infeliz, já que a história se passa em 2010 e o Okabe estranha o fato de ninguém se lembrar de John Titor, que como ele mesmo disse já havia aparecido há 10 anos atrás. Acabou criando um erro na linha temporal do mangá.

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  2. Um aspecto que não me agradou foi o humor. No anime, não existe aquelas expressões exageradas do humor japonês, e ainda é ótimo pela sutileza, mas no mangá tem, e até em cenas indevidas, pra mim, pelo menos (o experimento da banana. É o 2º, se posso dizer, grande ponto pra história. No anime levaram com um espanto verdadeiro e bem-feito, no mangá…)

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  3. Na verdade até o anime foi corrido durante a segunda metade, com diversas cenas cortadas da Visual Novel, e isso, sinceramente já me decepcionou um tanto (o episódio 17, por exemplo, que adapta o capítulo 7 da Visual Novel corta os primeiros 90% do capítulo e te joga o final, tirando metade da emoção dele… Em suma, tu fica com pena da Faris, mas é algo bem generalizado), mas o mangá… Eu não sei se o autor é um mal mangaká que correu a história ou se deram um limite de volumes que ele poderia usar. No segundo caso, eu acho que a obra ficou bem resumida para três volumes, mas é claro que merece pelo menos umas 4 vezes isso. Enfim, não é particularmente ruim, mas não agrada quem teve o prazer de experienciar o animê ou, mais importante, a VN (que é uma das mais geniais que eu li em muito tempo…). E tecnicamente a hype pode não ter se ido toda, já que vai ter Steins;Gate 0.

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  4. Eu sinceramente gostei do mangá. Até hoje não consegui assistir o anime, porque eu acho o primeiro episódio lento demais e não consigo me empolgar para assistir o resto.

    Em suma, achei o mangá coerente, conciso e coeso e as relações foram o suficiente para me deixar com pena ou espantado conforme as coisas foram acontecendo.

    Na minha concepção de quem não conhece nada, eu acho que um volume a mais seria perfeito para dramatizar melhor o final, mas ainda sim, foi satisfatório.

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