Orange – Editora JBC – Vol. 1

O que você faria se recebesse uma carta de si mesmo, mandada de dez anos no futuro, mas não conseguisse ler o que está escrito por conta do papel ser transparente demais?

Tudo bem, o trocadilho na legenda dessa matéria foi bastante apelativo, mas é totalmente compreensível visto a qualidade do material que vamos falar aqui. Todos que acompanham o mercado de mangás no Brasil e não estiveram passeando por Marte nos últimos dois ou três meses com certeza estão super saturados de falar e ouvir sobre esse assunto mas não há o que fazer. O Gyabbo! poderia simplesmente deixar passar e comentar apenas sobre a história em si de Orange, mas como a análise de hoje é sobre o material lançado aqui no Brasil em geral, temos o compromisso de sermos francos com vocês.

orangeOrange nos apresenta um típico ambiente escolar bastante saudável ao maior estilo slice of life onde Naho Takamiya vive com seus amigos. Em um dia qualquer, ela recebe uma carta em sua porta, com o seu próprio nome como remetente. Ao abrir a carta, ela acha que aquilo é uma brincadeira de mal gosto, já que o conteúdo revela que a carta veio de 10 anos no futuro e foi mandada por ela mesma na esperança de que a Naho mais jovem repare alguns arrependimentos que ela teve quando nova, sendo o principal deles não ter ajudado um amigo muito querido chamado Kakeru Naruse. A carta narrava alguns acontecimentos do dia a dia da menina e ela só passa a acreditar naquilo quando esses acontecimentos se realizam, como a transferência de Kakeru Naruse para a sua turma. É então que Naho decide reparar os erros da sua versão do futuro e acaba se envolvendo num belo romance.

O mangá  da autora Takano Ichigo já teve um destino bastante conturbado na terra do Sol nascente, quando era publicado pela revista de shoujo Bessatsu Margareth e, após alguns problemas com a editora Shueisha, por pouco não foi finalizado prematuramente. Após algum tempo, a autora revelou que daria continuidade à sua obra pela revista seinen Monthly Action Magazine da editora Futabasha e assim seguiu até terminar em cinco volumes. O processo todo se deu entre os anos de 2012 e 2015 e ainda nesse ele foi surpreendentemente anunciado pela Editora JBC numa sacada genial, afinal Orange acabou se tornando um dos mangás mais famosos e rentáveis do gênero nos últimos anos.

Orange 2O primeiro volume nos apresenta todo o relacionamento entre Naho e seus amigos e como ela conhece Kakeru e fica sabendo do seu drama familiar. O ritmo da história é bastante agradável e aos poucos vamos fazendo loucas teorias do que acontecerá ou dos motivos da carta ter vindo do futuro e tal. O traço da Takano Ichigo é muito bonito, apesar de escorregar em algumas cenas ou ângulos diferentes. No geral, é aquele típico traço mais fino, cheio de detalhes e flores, coisa muito presente em diversos mangás shoujo. Até alguns balões possuem algumas retículas fofas e lindinhas! A única coisa que deixou um pouco a desejar é que acontecem alguns flashfowards alternando entre os personagens no presente e no futuro, mas o design dos personagens não muda praticamente nada e acabamos confundindo um pouco.

Sobre a edição brasileira da Editora JBC, a capa está impecável! Pode-se dizer até que foi uma das capas mais lindas já publicadas no Brasil, com uma cena contínua na parte de trás, laminação fosca e um acabamento muito caprichado. Pena que não se pode dizer o mesmo do miolo. O papel é o offset e está bastante transparente, de verdade. É uma pena que um mangá tão lindo e gostoso de ler tenha sofrido esse escorregada. Apesar de dar para ler normalmente, incomoda bastante e chega até a confundir quais elementos estão na página atual ou na próxima. Como Orange tem alguns elementos mais suaves e claros em seus desenhos, as transparências do verso das páginas atrapalham um pouco. É duro dizer isso, mas o valor de R$14.90 não está valendo a qualidade do volume impresso e se isso não for corrigido nos próximos volumes, vai ficar muito difícil continuar a coleção.

Orange 3No final do volume temos um extra bastante peculiar, o primeiro capitulo de uma outra história da Takano Ichigo, chamada Haruiro Astronaut que possui personagens bastante idênticos ao próprio Orange e uma arte bem simplesinha e sem grandes atrativos.

Contando com cerca de 220 páginas, o volume #1 de Orange agora está nas bancas, bastante lindo por fora e com uma qualidade questionável por dentro. Fica a critério dos leitores agora se irão investir em um mangá de quase 15 reais e verem suas cédulas se tornarem transparentes em suas mãos ou se irão reclamar de mais essa coleção como fizeram com Gangsta, Ultraman e tantos outros. É uma decisão bastante difícil de ser feita já que Orange estava sendo bastante esperado pelos fãs, mas se a qualidade da história compensa a qualidade gráfica apresentada pela editora JBC, eu diria que não. Se você é fã de Orange, não vai conseguir aceitar uma qualidade dessa e comprar “só pra ter” vai se tornar insuportável a cada vez que você abrir o volume. E se você não conhece e quer comprar pra conhecer a história, provavelmente não vai conseguir aproveitar a leitura com gosto. É realmente uma pena ver uma história de qualidade sendo tratada dessa forma e infelizmente, talvez não compense o dinheiro gasto.

7 respostas em “Orange – Editora JBC – Vol. 1

  1. Isso sim é uma analise, sabendo destacar o bom e o ruim do produto sem deixar o consumidor na duvida do resultado final.

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  2. Esse foi o primeiro mangá que eu notei mais o problema da transparência, como os outros eu não cheguei a comprar não percebi a qualidade tão ruim. Mas como sou fã de shoujo escolhi continuar apoiando a publicação deste mangá no Brasil comprando ele mesmo com a falta de qualidade, por que já tinha lido online e estava mais apaixonada pela capa do que pelo conteúdo me si. :)

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  3. “Se você é fã de Orange, não vai conseguir aceitar uma qualidade dessa e comprar “só pra ter” vai se tornar insuportável a cada vez que você abrir o volume.” – Eu não sou exatamente fã, mas já conhecia o começo da história, mas não achei nada insuportável de ler kkkk Tudo bem que está bastante transparente, mas pra chegar a me atrapalhar na leitura, é preciso que as páginas sejam amarelo neom rs Eu não sou fã da obra, mas sou da JBC e essa eu defendo até a morte! u.ú Vou continuar comprando o manga xD

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  4. Esse foi um dos títulos de mangá que sugeri as editoras trazerem para o Brasil. Acabei lendo a edição de um amigo e decidi não comprar justamente por essa qualidade do papel. É lamentável…

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  5. Comprei este primeiro volume, e achei a transparência aceitável. A impressão está ótima, e bem preta. E as imagens das páginas de trás aparecem em um tom muito fraquinho, de tal forma que não atrapalha a leitura. Embora, de fato, a maioria dos outros mangás em offset estejam menos transparentes que esse. Mas valeu a compra.

    Mas até agora, o único que a transparência me incomodou foi Ultraman. (Gangsta ainda não chegou por aqui.)

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  6. Comprar ou não comprar, eis a questão.
    Capa linda, miolo de papel off-set meio transparente, impressão boa, preço alto.
    Mas será isso pior que aqueles meio tankos nanicos de papel jornal de antigamente?
    Na dúvida, prefiro comprar e ler o manga do que ficar sem ele.
    Mas cada um decide por si.

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  7. Pingback: TOP 5 - Os melhores mangás de 2015 - Troca Equivalente

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