Leituras de 2021 – Mangás

Último dia de 2021, chega a hora de fazer um balanço das leituras feitas nesse período.

Ichigo100%Mizuki Kawashita – Janeiro

Ichigo 100 Cover 19 Resolvi começar 2021 terminando esse mangá que me acompanhava desde meados de 2003, ainda na época dos scans. Lá pelos meus 14, 15 anos, comecei a ler Ichigo 100% na internet e, devo dizer, me apaixonei! As cenas eróticas claramente ajudavam, mas eu me sentia bastante envolvido com o confuso triângulo amoroso entre Junpei, Toujou e Nishino. Era divertido e despretensioso, uma leitura perfeita para a idade. Por motivos que não me recordo, no entanto, mesmo adorando a leitura, não continuei acompanhando e o interesse ficou adormecido.

Em 2010, com o lançamento feito no Brasil pela editora Panini, comecei a comprar, mas dessa vez, já bem mais velho, a experiência não foi tão agradável. Quem acompanha o Gyabbo! sabe da minha intolerância com fanservice sexual, principalmente envolvendo crianças e adolescentes. Assim, apesar de ter recebido da editora todos os volumes que me faltavam, não me interessei em dar continuidade na leitura.

Agora em 2021 resolvi terminar esse mangá simplesmente para tirar da minha lista de pendências. Se em 2010 já havia desgostado da obra, dessa vez eu simplesmente odiei e fui me arrastando pelos volumes que conseguiam piorar um após o outro. Ichigo 100% sai do romance adolescente atrapalhado dos primeiros volumes para uma mistureba completamente sem sentido e grosseira até seu final. 

Um péssimo jeito de começar as leituras do ano.

Silver SpoonHiromu Arakawa – Abril

Gin no Saji Silver Spoon Cover 15

Que a Arakawa é genial, acho que ninguém irá questionar. Quando ela pega a ideia de um garoto de cidade urbana indo estudar em uma escola técnica rural e transforma isso em um dos melhores mangas dos últimos 10 anos temos apenas a confirmação do nível dessa autora.

Devo admitir que a premissa não me pegou na época que o manga começou a sair em 2011. Parecia uma escolha aleatória depois do mega sucesso que foi o épico Fullmetal Alchemist. Foi apenas com a adaptação para anime, dois anos depois, que resolvi dar uma chance e me apaixonei completamente, me deixando com a forte vontade de ler o manga visto que a animação cobriu pouco mais da metade da obra original.

No momento histórico atual onde a polarização e a impossibilidade de receber o diferente é cada vez mais a regra, Silver Spoon é uma resposta perfeita, contrabalanceando conflitos individuais com o suporte coletivo, comunitário e compartilhado que tanto nos falta neste contexto socioeconômico. A trajetória de Hachiken em descoberta do seu próprio caminho me tocou como poucas histórias conseguiram, sem nunca perder a leveza em uma obra ao mesmo tempo divertida, engraçada e profunda.

VagabondTakehiko Inoue – Abril (até o volume #9)

Vagabond Manga 9

A eterna obra inacabada de Takehiko Inoue. Outra que exercia um certo fascínio sobre mim desde a época do seu lançamento no Brasil ainda pela editora Conrad, lá em 2001, dividindo espaço nas bancas – e no meu orçamento – com Dragon Ball. Com uns 13 anos, olhar o traço realista de Inoue era um verdadeiro espanto, elevando a obra a um patamar idealizado antes mesmo de lê-la. Como no Brasil ela foi sendo tratada como um produto de luxo (primeiro pela própria Conrad e depois em seu relançamento pela extinta linha de mangás da Nova Sampa), tive de deixá-la de lado por uns bons anos, mesmo com seu certeiro relançamento pelas mãos da Panini.

Ao finalmente retomar a obra, devo dizer que minha reação não foi a que eu esperava. Sim, a arte do autor é fenomenal, mas a história em si é… OK? Takezo, refletindo sua idade nesse começo da história, é uma criança chata, para dizer o mínimo. Com isso, as reflexões filosóficas em cima do caminho do guerreiro a ser trilhado em seu desenvolvimento acabam soando pretensiosas e forçadas. Em razão disso preferi dar uma pausa no volume 9 e tentar novamente agora em 2022.

Não nego as qualidades artísticas de Vagabond, mas pessoalmente não me fisgou.

Slam DunkTakehiko Inoue – De Abril a Setembro

Slam Dunk Manga 31

Vou ser bastante sincero aqui: Slam Dunk é bom. Um manga divertido cuja leitura flui muito bem. Seus 31 volumes passam voando com partidas empolgantes de basquete – umas mais, outras menos. A maioria dos personagens são carismáticos e se complementam bem para uma dinâmica interessante entre os diferentes times e entre a equipe da Shohoku.

Dito isso, realmente não compreendi a adoração toda em cima da obra. Durante todos esses anos lendo mangás, sempre ouvi sobre Slam Dunk como um dos melhores mangas de todos os tempos, aclamado pela crítica, pelos leitores e um imenso sucesso de vendas no Japão, mudando a forma do país enxergar o esporte.

Novamente, gostei bastante da leitura, mas não encontrei nada demais.

Video Girl AiMasakazu Katsura – Setembro

Video Girl Ai Manga 13

Tenho pouca coisa a comentar sobre mais essa comédia romântica com toques sexuais da Shonen Jump. Também comecei a ler na adolescência, quando surgiu nas bancas brasileiras pela editora JBC. Também parei de acompanhar por motivos aleatórios, provavelmente dinheiro, deixando uma lembrança positiva no funda da cabeça.

Ao retornar a leitura encontrei uma grande novela daquelas bem melodramáticas, caricatas e exageradas (redundância intencional). Ler Video Girl Ai hoje é uma experiência curiosa de como havia uma maior permissibilidade no que se poderia ou não mostrar em nanquim no final dos anos 80. Fora isso, seus 15 volumes acabam se tornando longos demais, repetindo fórmulas e reações arco após arco. Fosse um terço ou dois terços mais curto e o resultado seria bem mais satisfatório.

MonsterNaoki Urasawa – Setembro a Outubro

Monster Manga

Acho que já deu para perceber que nesse último ano dei prioridade para obras mais antigas, a maioria encerrada, que de uma forma ou outra me deixaram com forte vontade de lê-las durante os anos. Assim, não teria como deixar passar o clássico thriller de suspense Monster do mestre Urasawa.

Ali por 2006 ele fazia uma duplinha de favoritos com Sanctuary – que consegui ler todo ano passado -, consumindo entre as aulas do cursinho pré-vestibular. No entanto, assim como aconteceu com 20th Century Boys, do mesmo autor, Monster começa muito bem para ir se perdendo levemente em seu final. Se no começo o mistério de quem (ou o quê) era Johan me fazia devorar as páginas, com o passar dos volumes a impaciência era quem comandava.

Monster acaba sendo inimigo de si mesmo. Com um começo tão promissor, seu desenvolvimento e desfecho, ainda que muito bons, não ficam à altura.

NarutoMasashi Kishimoto – De Outubro a Novembro (até o volume #27)

Naruto Manga 27

Até hoje eu me arrependo de ter parado a assinatura de Naruto no volume #62. Já na reta final da história acabei sem conseguir continuar pagando e deixei pra comprar o que faltasse depois. Como no Brasil não se acha volumes depois de um tempo, a coleção ficou incompleta mesmo.

Pra tentar me redimir, esse ano voltei ao bom e velho narutinho, lendo até antes da passagem de tempo e devo dizer que continua bem divertido, hein? Claro, hoje eu sou mais chato, gostaria que tivesse tido mais tempo para desenvolver a amizade entre Naruto, Sasuke e Sakura para que eu realmente me importasse com todos os eventos até esse volume, mas continua sendo um mangá dinâmico, com boas lutas e um mundo interessante para explorar.

Espero ler todo o resto agora em 2022.

Blood LadYuuki Kodama – Novembro a Dezembro (até o volume #5)

Blood Lad Manga 1

Lembro até hoje da surpresa positiva que foi ler o primeiro volume de Blood Lad lançado pela Panini. Nunca tinha ouvido falar, não conhecia ninguém que comentasse sobre, mas simplesmente adorei! Até cheguei a comprar outros volumes, mas a falta de dinheiro novamente faz eu parar.

Pegando agora pra ler a coleção inteira, encontrei tudo que me cativou no passado: Traço excelente, premissa curiosa, mundo instigante, personagens carismáticos, cenas engraçadas, boas ideias para poderes e lutas… só que por algum motivo que ainda não consigo explicar não pude me empolgar para continuar lendo.

Tem tudo de bom, mas não me pegou, vai entender!

HorimiyaHERO / Daisuke Hagiwara – Dezembro (até o volume #12)

Horimiya Manga Cover 12

Como eu amo esse manga!

Vocês conhecem o conceito de iyashikei? É um subgênero de histórias com os personagens simplesmente vivendo suas vidas tranquilamente, tendo como objetivo levar paz ao leitor, uma leitura “curativa”. Ainda que seja discutível se Horimiya encaixa- nesse subgênero, para mim é a leitura perfeito para esse final de ano depois de um 2021 terrível entre pandemias, crise de oxigênio aqui em Manaus, fascistas no governo e uma perspectiva não muito otimista para o próximo ano. Acompanhar o romance da Hori e do Miyamura junto de seus amigos, falando e fazendo besteirinhas inocentes traz uma paz que eu precisava.

Só espero que não me inventem algum grande conflito nos volumes finais!

Ao total foram 140 volumes de mangas lidos esse ano. A melhor leitura certamente fica entre Silver Spoon e Horimiya e a pior vai para Ichigo 100% sem nenhuma dificuldade.

E você, conseguiu ler muito esse ano? Deixe nos comentários suas leituras favoritas. Já leu algum dos mangas listados acima? Adoraria conversar sobre suas impressões sobre eles!

Feliz ano novo para todo mundo!

6 respostas em “Leituras de 2021 – Mangás

  1. Seu comentário sobre Monster me deixou instigado a ler, seu status de perfeição intocável sempre me deixou confuso (principalmente pelo padrão das pessoas que o propagam)

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    • Tem algumas obras que carregam esse status e isso realmente pode afastar muitos leitores. Monster é um ótimo manga, vale a leitura, mas dá pra ir para ele sem esse peso todo.

      Curtido por 1 pessoa

  2. Estou lendo Monster atualmente e gostando bastante. Naruto é uma obra que eu enrolo muito para acabar, mas farei isso ainda em 2022.

    Ps: o que você achou da edição 3 em 1 de One Piece?

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  3. Monster é muito bom, né? Está em qual volume agora?

    Sobre a edição 3 em 1 de One Piece não sei dizer pois não tive ela em mãos ainda. A ideia é boa, considerando o tamanho atual da obra, mas pagar 50 reais num volume de manga, mesmo que 3 em 1, ainda é algo que me assusta.

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    • Denys, boa noite. Hoje eu li seu comentário a respeito de sobre religiosidade em relação a animes. A uns três dias atrás, fiquei me remoendo sobre um anime que assisti chamado Platinum End, uma história sobre certas pessoas que perderam a vontade de viver, e quando estão prestes a tirarem suas vidas, anjos aparecem repentinamente para salvá-las. Faltando alguns episódios para terminar o anime, um cientista, umas das pessoas que foram sauvas por esses anjos, achava que Deus era algo que foi criado na imaginação dos seres humanos, sendo que neste anime, Deus era uma pessoa mortal que havia se tornado Deus, e no decorrer do anime, seu tempo como pai de tudo e de todos está acabando, e depois no final do anime, um garoto que queria muito se matar acaba mudando de ideia para se tornar Deus e provar para esse doutor, se Deus existe ou não. Esse garoto acaba se tornando e depois se suicida, e depois todos os seres vivos simplesmente desaparece da Terra. E aparece algumas frase como ” pra que existir a vida ” no começo, isso não me afetou, e faz um bom tempo que terminei este anime, quando comecei a assistir, achei que era algo ótimo sobre Deus, positivamente falando, e depois percebi que não era, o problema que não consegui parar, como faltava poucos episódios, decidi terminar.

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      • Hoje a noite, conversei com minha mãe sobre isso, havia falado ontem a ela, mas hoje foi definitivo, se existe bem e mal, e o bem relacionado a Deus, e Jesus. O troço ruim, a maldade, então se a vida, o amor, a compaixão, a tristeza, seja de felicidade ou tristeza, e qualquer outro sentimento com exceção do ódio, é algo bom, então existe bem e mal, então existe Uma força que tenha criado tudo e todos, e uma força que tenta acabar com isso, essa força seria Deus, tendo uma figura humana como Adão, como mencionado na Bíblia, que Adão é um ser humano criado por Deus, apartar do Criador, ou não, eu decidi que acredito, e irei cultivar essa crença, porquê eu temo, respeito, e valorizo, e o amo, amo minha família, e principalmente a mim mesmo, essa é minha visão sobre religião, mas uma coisa é certa, percebi que preciso tomar um cuidado tremendo com que tipo de anime eu assista, e isso serve pra qualquer conteúdo. Gostei muito sobre aquele conceito seu sobre essa questão, e gostaria de conversar com você sobre religião, e sobre animes, claro

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