Saint Seiya Omega – Cavaleiros do Zodíaco Ômega – Primeiras Impressões

Antes de começar a falar realmente de Saint Seiya Omega, vamos contextualizar um pouco as coisas: Eu sou um dos filhos da Manchete, comecei a ver animes com ela graças ao sucesso de Cavaleiros do Zodíaco (e Shurato, Yuyu Hakusho, Super Campeões etc). Anos depois quando a Saga de Hades surgiu, apesar de eu me interessar bastante, não assisti, indo fazer isso apenas na época que passou no Cartoon Network em um ingrato horário de madrugada. Não vi o resto da Saga de Hades, tão pouco Lost Canvas.

Isso é para deixar claro que apesar de eu ser fã de Cavaleiros do Zodíaco (lembro quando a série original voltou pelo Cartoon Network e eu saí avisando todas as pessoas da minha sala na 8º série) não acompanhei de fato sua trajetória e novos produtos da franquia não me atingem como o de outras (Dragon Ball, por exemplo). Possuo um carinho pela série, me divirto muito conversando sobre o mundo de CdZ com amigos que nem sequer assistem à animes, mas tenho pleno senso crítico dos pontos fortes e fracos da mesma, sem ser atingido muito forte pelo saudosismo hoje em dia. Continuar lendo

JBC lança Cavaleiros do Zodíaco versão Tankohon em Janeiro

Com uma capa que consegue rivalizar em feiura e mal gosto com a de Evangelion #1 da própria JBC, Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya) chega às bancas a partir de janeiro, em 28 volumes de periodicidade mensal, no formato tankobon, pelo preço de R$10,90 cada.

O ano de 2012 começa com a volta do primeiro manga a chegar na vinda moderna dos mangas ao Brasil. Sucesso absoluto na televisão na época da extinta Manchete e grande sucesso ao ser publicado pela Conrad, Cavaleiros do Zodíaco é um daqueles materiais que chega e vende. Prova disso são as diversas séries que vieram da franquia para cá, como Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya: The Lost Canvas – A Saga de Hades (de Shiori Teshirogi) e a continuação direta da trama original, Os Cavaleiros do Zodíaco – Saint Seiya: Next Dimension – A Saga de Hades, todos da própria JBC.

Essa certeza de boas vendas e a situação atual da qualidade gráfica dos mangas, principalmente da JBC, me deixam muito temeroso quanto ao que iremos encontrar nas bancas em Janeiro. O desleixo com a capa (veja da original aqui no Chuva de Nanquim) já é uma amostra do que possivelmente veremos. Já comentei aqui sobre o provável futuro do mercado de mangas com um pensamento e ações como essa da JBC. Mesmo a entrada da L&PM Editores não parece balançar as certezas de Marcelo Del Greco quanto o que deve ser feito.

Eu sempre quis ler o manga de Cavaleiros por inteiro por não ter tido a oportunidade de comprar a versão da Conrad, mas posso dizer com segurança: Se a qualidade interna for a mesma da capa, não comprarei e não indico.

ATUALIZAÇÃO: De acordo com informações do site CavZodíaco, “A editora explicou que este corte [na capa] foi necessário já que a editora japonesa Shueisha não possui mais as imagens das capas originais, portanto foi necessário scanear a capa dos mangás japoneses e fazer os cortes necessários (segundo a editora, não é permitido fazer qualquer alteração na imagem da capa, portanto apenas retoques de cor são permitidos, o que a obrigou a fazer o corte na imagem).”

De acordo com essa afirmação nós temos uma editora japonesa que não possui a imagem original do primeiro volume de manga de imenso sucesso no mundo, o que eu pessoalmente acho improvável, mas não irei questionar essa explicação oficial. Isso significa que possivelmente as capas dos outros volumes também venham “diferentes” das originais. Ainda de acordo com o meu entendimento das afirmações acima, não seria possível pegar a imagem scaneada da capa original e reconstruir o logo, como mesmo um amador consegue fazer conforme linkado no Chuva de Nanquim. Não estou aqui para questionar essas explicações oficiais, apesar de achar uma imensa burrice por parte da Shueisha, algo até difícil de imaginar. O que eu fico pensando é que, se nem a imagem original dessa versão a editora possui, será que não seria melhor, pensando na qualidade do produto a ser lançado, licenciar seu Aizouban ou BunkoBan ou a primeira, segunda ou terceira edição Remix ou, e essa teria sido a melhor escolha, a versão KanzenBan? Cavaleiros do Zodíaco teve ao todo SETE tipo de edições lançadas e eles conseguem escolher aquela que nem a imagem da capa original existe/está nas mãos da editora detentora dos direitos?! Se isso não for desleixo, eu desaprendi o significado da palavra.

Fim da atualização. Agradeço ao leitor @Rafa_9000 por ter me indicado a informação.

ATUALIZAÇÃO 2 (19/12/11): Sabe, eu tento ser bom moço. Se o editor da JBC vem a público falar que a Shueisha diz que “não é permitido fazer qualquer alteração na imagem da capa, portanto apenas retoques de cor são permitidos”, eu fico calado e finjo acreditar. Nunca foi do meu feitio aqui no Gyabbo! ragear. Mas lá estava eu lendo um fórum de Cavaleiros que linkou este mesmo post e percebi algo vendo lá que é tão óbvio que sinto até vergonha de vir aqui mostrar, mas vamos lá (ficou feio, mas dá pra entender):

Na esquerda temos o canto superior direito da capa original. Na direita temos o canto superior direito do que sobrou da capa original na versão da JBC. Agora me expliquem onde diabos foi parar a barra logo acima da crina, de onde surgiu a continuação daquele cabelo e mais alguns centímetros quadrados de fundo. EU DIGO DE ONDE, DA PORCARIA DO PHOTOSHOP. DA RECONSTRUÇÃO QUE ELES FIZERAM. E não foi um “retoque de cor” apenas. Se vocês podem reconstruir em uma parte, façam seu trabalho direito e reconstruam o resto ao invés de colocar essa borda ridícula, cortando tudo que não tiveram vontade de trabalhar. Isso se chama desleixo, preguiça, desrespeito com o consumidor.

Mas principalmente, isso se chama mentir na cara do leitor.

Ah! E só pra terminar, olha que beleza, eu até fiquei pensando enquanto escrevia a primeira atualização se eles não teriam pega essa versão por ser a única disponível (sim, eu tento ser o mais gente boa possível), mas vejam que notícia linda é a de que na espanha a editora Glénat irá lançar a versão Kanzenban. E a gente com essa porcaria de terceiro relançamento de um mesmo manga sem que haja qualidade pra justificar isso. Parabéns JBC, parabéns por enganar na cara dura os seus consumidores.

Mas não fique calado, se você não gostar da versão que encontrar nas bancas, envie seu repúdio para o contato direto da editora (mas seja educado, por favor):

http://www.editorajbc.com.br/contato/contato.php

PS: Pelo menos não tivemos um “Edição especial” na capa, devem ter percebido o quão ridículo isso era e como era uma propaganda enganosa ao leitor.

A volta da Editora Conrad – Esperança ou ilusão?

Ainda em 2009 eu escrevi um texto aqui intitulado “Editora Conrad, uma esfínge” onde comentava um pouco sobre a ascenção e queda da editora no mercado de mangas e suas “novas” atitudes para se reerguer após ser adquirida pelo grupo Ibep-Nacional. Já naquela época a sensação de carinho pela editora poderia ser vista no meu texto, o que não retiro já que a editora foi por muito tempo a minha favorita do mercado e vez ou outra eu comentar sobre como gostaria que ela voltasse com força e não com manhwas desconhecidos.

Foi quando nesta quinta-feira, lendo as notícias diárias, vi no JWave um post com uma nota oficial divulgada pela Conrad explicando algumas coisas, vamos a ela:

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Vendo animes antigamente e agora

Olá  para todos, como estão? Eu não estou no meu melhor momento, ainda doente, os exames que fiz não deram nada, o que praticamente impossibilita um tratamento por enquanto. Estou usando uns remédios e espero que eles façam algo, mais de dois meses assim praticamente, bem frustrante. Torçam por mim.

Bem, hoje o post vai ser meio filosófico (ok, não). Dois posts atrás, quando comentei sobre aquilo que pretendia assistir da nova temporada de outono, comentei sobre o sentimento de nostalgia que as obras da CLAMP me dão, e é justamente sobre isso que vou falar hoje.

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Hoje em dia assistir animes, ler mangas, ver doramas é muito fácil. Indo do Google ao camelô do centro que vende dvds piratas dos mais diversos animes, a acessibilidade que existe hoje para os animes é imensamente maior do que aquilo que se via na década de 90 ou mesmo nos anos 00’s. Eu posso até estar confundindo esse sentimento com nostalgia, mas a verdade é que o ato de assistir animes  hoje tem um sentimento muito diferente daquele que eu tinha anos atrás.

Não estou aqui querendo dizer o que se ouve muito por aí, que a indústria de animes está morrendo, está saturada, não se fazem mais animes como antigamente e outros blablabla’s, acho tudo isso bobagem, animes como Baccano!, Higashi no Eden e Nodame Cantabile, apenas para citar alguns, mostram que existe muita coisa original e de qualidade sendo feita no Japão. O que eu quero falar é da forma como tudo isso era encarado.

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Antes de tudo acredito que eu preciso me contextualizar para que vocês possam entender melhor. Eu tenho 20 anos, sou de 1988, logo, a infância que eu lembro começou na segunda metade da década de 90. Como muitos que gostam de animes hoje em dia e tem essa idade, tudo começou na extinta Rede Manchete e no Sábado Animado do SBT. Na primeira foi onde conheci os animes Shurato, Sailor Moon, Yuyu Hakusho e o que teve mais sucesso, Cavaleiros do Zodíaco. Já no SBT, mesmo com sua programação maluca, lembro de acompanhar Dragon Ball (que nunca passava para a saga do Piccolo), Guerreiras Mágicas de Rayearth e Fly. Nessa época eu ainda via tudo como desenho animado, sem fazer distinção alguma quanto às nacionalidades das obras. Foi apenas com mais ou menos 11 anos, quando meu pai assinou pela primeira vez uma Tv por Assinatura e voltei a ver Dragon Ball, agora na sua fase Z,  que comecei a entender e dar maior atenção aos animes.

Nesse momento a internet ainda era uma realidade limitada, o máximo que eu tinha eram alguns minutos de uma conexão discada à 64kb. Tudo que eu consumia era o que aparecia na televisão, El Hazard, Tenchi Muyo, Pokemon, Monster Rancher, Digimon, Sakura Card Captor etc, não havia uma real escolha, você (ou pelo menos eu) assistia todos os animes que surgiam pela escassez de possibilidades.

E é nessa escassez que estava metade de graça! As (poucas) informações que eu tinha eram as que apareciam em revistas como a Herói, então a maioria das estreias eram uma grande e feliz surpresa. Não existia para mim a possibilidade de ir na ANN ou na MAL para ver sobre o que se tratava aquele anime, você ficava na apreensão total até que assistisse ao primeiro episódio.

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Não sei quantas aqui fizeram parte da geração de animes por VHS, eu admito que não estive muito presente nessa época, foi de uma geração mais antiga que a minha. Toda a escassez de informações e de possibilidades tornava a experiência quase mágica. Lembro de quando um amigo me emprestou uma fita VHS com dezenas de aberturas de animes diversos, todas em original japonês. Eu basicamente não conhecia praticamente nenhum anime dali, mas só aquelas aberturas já eram suficientes para me entreter durante boas horas, mesmo com uma imagem e som péssimos. Já hoje, com a popularização da Internet, as informações estão na sua frente bem antes mesmo do anime estar no ar. Em blogs, como o Gyabbo! mesmo, você sabe de tudo sem ao menos ter visto a obra. Antigamente subar alguma produção era um trabalho incrivelmente árduo, hoje em dia novos fansubers surgem todos os meses, trabalhando em praticamente dos os animes disponíveis.

Não é que eu esteja reclamando, se não gostasse de tudo isso não teria um blog para comentar sobre animes. Mas às vezes, talvez por nostalgia mesmo, aquela época faz falta. Toda a dificuldade de se conseguir um episódio, um AMV, um filme, tudo isso parece que fazia a experiência toda valer muito mais.

O que vocês acham?