Os 09 maiores erros do mercado nacional de mangas – Parte 01

2010 marcou a primeira década do “novo” mercado de mangas no Brasil. Apesar de já termos diversas outras publicações anteriormente – como Akira, Mai, Ranma etc -, foi com Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball pela Conrad que deu-se início à publicação períodicas no chamado “modelo japonês” (em resumo, leitura da direita para esquerda).

Durante todo esse tempo muita coisa aconteceu, mais de uma centena de títulos diferentes chegaram à nossas bancas por várias editoras – algumas sólidas no mercado, outras que vieram se aventurar. De um ínicio marcado pela publicação dos chamados “meio-tankos” até hoje em dia, pode-se dizer que aconteceu uma evolução na qualidade do que recebemos, mas essa trajetório foi marcada por diversos erros por parte das editoras. Nesse especial dividido em duas partes venho relembrar os 09 maiores erros do mercado nacional de mangas.

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A volta da Editora Conrad – Esperança ou ilusão?

Ainda em 2009 eu escrevi um texto aqui intitulado “Editora Conrad, uma esfínge” onde comentava um pouco sobre a ascenção e queda da editora no mercado de mangas e suas “novas” atitudes para se reerguer após ser adquirida pelo grupo Ibep-Nacional. Já naquela época a sensação de carinho pela editora poderia ser vista no meu texto, o que não retiro já que a editora foi por muito tempo a minha favorita do mercado e vez ou outra eu comentar sobre como gostaria que ela voltasse com força e não com manhwas desconhecidos.

Foi quando nesta quinta-feira, lendo as notícias diárias, vi no JWave um post com uma nota oficial divulgada pela Conrad explicando algumas coisas, vamos a ela:

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Gyabbo! Cast Piloto³ – Conrad e cancelamentos

Nessa quarta-feira o site Anime Pró lançou uma notícia sobre o cancelamento oficial dos trabalhos da editora Conrad com diversos mangas, tanto alguns que já haviam sido finalizados quanto outros que ainda estavam no meio do caminho. Você pode ler a notícia inteira aqui. Para ler mais comentários meus sobre a decadência da Conrad também há esse post.

Aproveitando o assunto eu resolvi criar o piloto do Gyabbo! Cast, que é um projeto que já vem desde o ano passado. Espero que vocês gostem, apesar de eu ser bem melhor escrevendo do que falando. Aguardo realmente as suas opiniões e críticas para que eu possa melhorar nesse novo “ramo”.

O podcast pode ser baixado por aqui: http://www.megaupload.com/?d=AHCJ3NCI

Aguardo os seus comentários e isso inclui pautas para próximos podcasts, perguntas, comentários, críticas e tudo mais.

Créditos: Podcast inspirado no Blyme Cast #1

Músicas de fundo:

  • Cruel Angel’s Thesis (A.D. 2001) – Megumi Hayashibara
  • Fly me to the moon – Claire

Editora Conrad, uma esfínge

Olá a todos! Sabe, esses dias eu fiquei me perguntando o que vocês acham desse meu parágrafo inicial. Normalmente eu não tenho muito o que escrever aqui e vou enrolando até fazer um parágrafo de tamanho mediano. Gostaria muito que vocês dessem as suas opiniões sobre isso (além de sobre o post em si), se eu devia simplesmente iniciar os posts com a matéria e não com esse parágrafo. Mas indo ao que interessa, hoje o post é sobre a Editora Conrad.

Antes de começar, irei contar uma pequena história para vocês. Se hoje em dia eu leio muito mangas, gastando pelo menos uns 40 reais por mês nisso, houve uma época em que eu tinha um certo preconceito com os quadrinhos nipônicos. Mesmo já gostando de animes, não engolia aquelas HQ’s sem cores e com a leitura invertida. Dois fatos fizeram eu mudar de ideia; primeiro foi a saudosa série brasileira Holy Avenger, que me empolgou e me fez perceber que as cores não são fundamentais. Pouco tempo depois, ainda sem ler nenhum manga original, vi em uma banca de revista enquanto passeava no Shopping a edição #32 de Dragon Ball, da editora Conrad. Com um grande “O que o SBT não mostrou”, fui obrigado a comprar aquela edição, ler metade da edição no sentido errado e acabar viciado em mangas para sempre. Eu contei essa história para mostrar o carinho que eu tinha pela editora Conrad, que durante muito tempo a minha favorita. Mas a verdade é que já são anos que ela não é mais a grande editora que foi.

Fundada em 1993, a editora Conrad começou a ganhar força entre o público infanto-juvenil principalmente com os lançamentos das extintas revistas Herói e Pokeclub. Em 2000 foi a pioneira no lançamento de mangas no modelo japonês (ok, na verdade só o sentido e as cores eram iguais ao lançamentos japoneses) com Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, extra-oficialmente os maiores sucessos do nosso mercado (difícil confirmar esse dado, visto o sigilo com que as editoras tratam seus números, não imagino o porquê).

Se o início foi de grande sucesso, o resto da sua história não foi tão acertada. Dr.Slump, procurando explorar o sucesso do nome de Akira Toriyama no Brasil, não conseguiu o mesmo efeito de Dragon Ball e acabou cancelado. Vagabond que parecia ter uma boa vendagem, teve um conturbado cancelamento da sua edição “standart” para privilegiar a chamada Edição Definitiva. Variando entre lançamentos mais trabalhados, visando as livrarias, como Adolf e Buda, e os lançamentos para as bancas, como Paradise Kiss e One Piece, a editora lançava seus quadrinhos em grande número, sem que isso se refletisse em vendas. Procurando vender os encalhes, colocava agressivas promoções no seu site, o que acabou sendo um tiro no pé, já que muitos fãs deixaram de comprar nas bancas para esperar os descontos.

A situação foi se agravando, mangas como Monster e Sanctuary eram paralisados, contratos como o de One Piece venceram, tudo parecia levar ao fim da editora. Foi quando no início desse ano, depois de diversos boatos sobre a sua possível venda, a Conrad acabou comprada pelo grupo Ibep-Nacional. Todos esperavam que os diversos mangas da editora fossem concluídos, o que infelizmente não aconteceu.

É difícil dizer, como já disse, números do mercado nacional são grande segredos, mas acredito eu que os manhwas tenham um licenciamento bem mais barato que os mangas. Isso poderia explicar o porquê dos sucessivos lançamentos no estilo manga, mas que na verdade são feitos em outros países. Entre eles temos Melodia infernal, Starcraft e a nova trinca de manhwas, Banya, Dangy e Gui.

Preços mais altos que os normais do mercado, títulos sem expressividade e lançados aos montes, falta de conclusão nos seus mangas mais antigos, má distribuição, insistência nas bancas ao invés das livrarias. A verdade é que a editora Conrad continua repetindo todos os erros que levaram-na a quase falência. Não duvido da qualidade dos títulos escolhidos, mas acho difícil que eles tenham vendas fortes para trazer de volta aquela que já foi escolhida como a melhor editora de quadrinhos do Brasil quatro vezes pelo prêmio HQMix.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Conrad_Editora

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u499494.shtml

Editora Conrad Lança 3 Novos Manhwas

http://www.hqmix.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=58&Itemid=63

http://www.lojaconrad.com.br/lojas/CONRAD/__Home.cfm