Mangas Undergrounds #4 – Narutaru

Coluna do Mangas Undergrounds no Gyabbo!

Narutaru (ou Shadow Star em inglês) é um mangá completo em 12 volumes, publicado em 1998 e terminado em 2003 na revista Afternoon, de autoria de Mohiro Kitoh, mesmo autor de Bokurano.

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Mangas Undergrounds #2 – Freesia

Criado em 2003 por Jiro Matsumoto e publicado na revista Ikki, “Fressia” conta a historia de um Japão alternativo no qual, devido à superpopulação nas prisões, foi aprovada uma lei que permite os assassinatos por represália, ou seja, caso uma pessoa tenha tirado a vida de alguém muito querido a ti, você terá o direito legal de contratar um assassino para matar esta pessoa, ou até assassiná-la com as próprias mãos, criando assim uma sociedade podre, em constante guerra, corrupta e… parecida com a nossa.

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Mangas Undergrounds #1 – Eden: It’s an Endless World!

Bom, agora a coisa ficou séria! Depois das respostas positivas (mesmo com alguns falando que eu exagerei) ao post-convidado sobre Soul Eater, o Sr. Denys me chamou pra fazer uma coluna mensal sobre mangás undergrounds. Fiquei muito feliz, sempre guardei muito respeito pelo Gyabbo! e ser chamado pra escrever aqui… caramba! encheu o meu ego. No entanto, devo confessar que logo de começo fiquei um pouco confuso. Acontece que para esse primeiro post como coluna o Denys pediu para que eu falasse sobre o que eu considero serem mangás undergrounds. Isso pode ser um pouco estranho, mas eu nunca tinha parado pra pensar sobre como eu seleciono os mangás que eu falo, eu simplesmente falo.

Pensando um pouco, a solução veio com certa naturalidade, “mangás undergrounds” são mangás desconhecidos, no entanto, mais do que obras desconhecidas, são obras  desconhecidas e de qualidade. Nunca falei sobre um quadrinho sequer que eu considerasse ruim, se não gosto simplesmente não falo, e é isso que pretendo fazer aqui. Claro que “mangás de qualidade e desconhecidos” é um pouco amplo, não falo de qualquer mangá, eu tenho uma personalidade, um gosto próprio, então dentro desse “gênero” eu acabo falando de obras mais adultas, que contenham um maior teor psicológico, mas a premissa inicial é simples: apresentar ao público obras que ele não tenha lido, mas deveria.

E pra começar nada melhor do que esse mangá, uma ficção científica que não poderia ser mais realista: Eden, It’s an Endless World!

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Black Rock Shooter (TV) – Primeiras impressões

Antes de começar esse posto, acho válido salientar uma coisa antes: Eu gostei bastante do OVA de Black Rock Shooter. Mais detalhes ler aqui meu post sobre ele.

Se da última vez que eu comentei sobre algo referente à Black Rock Shooter eu não sabia praticamente nada do “mundo” Vocaloid, não posso dizer que isso tenha mudado muito de lá para cá, então novamente, não farei comparações com a personagem original e a história que deram para ela.

Kuroi Mato é uma estudante que acaba de entrar no ensino fundamental (logo, deve ter uns 11~12 anos) e se interessa pela amizade da colega de classe Yomi Takanashi. Apesar de ser calada e solitária, logo percebemos que essa não é exatamente a verdadeira Yomi, mas sim que ela é controlada por outra pessoa que não a permite se aproximar de outras amizades, em uma relação doentia de posse que só iremos entender porque se mantém com o passar dos oito episódios (sim, apenas oito).

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#TezukaDay – Apollo’s Song – O amor e a verdadeira essência do ser

OBS: Pelo tamanho do texto, esse post será dividido em três páginas que podem ser acessadas onde indicadas ou no final da página. Para experiência completa do evento, recomendo a leitura das três.

OBS2: Não possuo o direito de nenhuma das imagens referentes ao manga em questão, todos os direitos pertencem aos respectivos donos e estão neste artigo para propósitos de análise e crítica literária. I don’t hold any rights of the images of the manga in here, all rights belongs to the respective owners and are here for the only purpose of literary criticism.

Introdução

A imagem que o ocidente constrói do Japão moderno normalmente perpassa dois lados: ou o bizarro, o inédito, incluindo aí toda a tecnologia “fantástica” que é propagandeada vinda daquele lado do globo; ou um país conservador, onde seus cidadãos demonstram um incrível senso de comunidade e buscam incessantemente uma vida melhor através do trabalho disciplinado. O que nos resta como opção de outro Japão é aquele de cultura secular vendida para o exterior.

É óbvio afirmar que país nenhum poderia ser dividido em poucas cores. As características mais marcantes que nos remetem a determinado grupo social são fruto da filtragem pela qual passa as informações dentro dos meios de comunicação. Apenas os que ignoram ou são ignorantes por falta de escolha poderiam pensar de forma diferente. Por isso mesmo é difícil imaginar o Japão dos anos sessenta e setenta, época da publicação de Apollo’s Song, pois existe uma espécie de vão na percepção que formamos desse país.

Em um olhar vemos os templos budistas, xintoístas e a era feudal. Ao piscar rápido temos Tóquio com suas luzes coloridas, sua tecnologia fascinante e seus comportamentos bizarros. Entre essa piscada, apenas uma escuridão que marca o ataque à Hiroshima e Nagasaki.

Fica a questão: Onde está o elo entre esses três momentos?

Osamu Tezuka, tão profícuo desenhista e contador de histórias, não pode ser reduzido a um evento histórico, a um fato do passado. Não, Tezuka pode e deve ser visto como alguém que esteve verdadeiramente presente no seu tempo, refletindo essa necessidade de estar no mundo pelas suas obras.

É assim que em 1970 a publicação de Apollo’s Song vem remeter-se não somente às inovações científicas presentes e imaginadas, como muitas outras ficções científicas fizeram e fazem, mas também às necessidades de um tempo em ser expresso pela arte.

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